Robôs assumem atividades de alto esforço físico enquanto profissionais migram para operação e supervisão de sistemas

Robôs assumem atividades de alto esforço físico enquanto profissionais migram para operação e supervisão de sistemas

Redação RBN
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Automação industrial avança no Brasil e
muda o tipo de trabalho nas linhas de produção

O
avanço da automação nas fábricas ainda costuma ser tratado como sinônimo de
substituição de trabalhadores. No debate público, robôs aparecem muitas vezes
como ameaça ao emprego. No chão de fábrica, no entanto, a lógica que tem guiado
boa parte das decisões industriais é outra: preservar a integridade física de
quem trabalha ali.

Dados
recentes mostram que a indústria brasileira continua gerando vagas mesmo com a
modernização tecnológica. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged), o setor industrial registrou saldo positivo de mais de
400 mil empregos formais em somatória de 2023 e 2024. Já o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a indústria mantém cerca de 8,5
milhões de pessoas ocupadas no país, com crescimento do emprego industrial nos
últimos anos, um movimento que ocorre ao mesmo tempo em que fábricas investem
em automação e modernização produtiva.

É
nesse contexto que o engenheiro mecatrônico Jaime Galvez, especialista em
automação industrial e com décadas de atuação em projetos dentro da indústria
automotiva, traz uma visão que costuma surpreender fora das plantas
industriais. Para ele, a função do robô não é substituir o trabalhador
qualificado, mas assumir tarefas que o corpo humano não deveria repetir por
anos.

Um
exemplo clássico que aparece em uma etapa comum de linhas automotivas é o a
aplicação de rebites em série, por exemplo. “É uma atividade extremamente
repetitiva. Em cerca de alguns meses muitos funcionários já começam a
apresentar sinais de LER (lesões por esforço repetitivo). A solução encontrada
foi automatizar o processo. O robô passou a executar a tarefa contínua,
enquanto os profissionais migraram para funções de monitoramento e operação do
sistema”, explica Galvez.

Outro
caso envolve o manuseio de componentes pesados em determinadas fases da
montagem. A atividade exigia levantar peças com peso significativo ao longo de
toda a jornada de trabalho. “Com o tempo começaram a aparecer problemas na
coluna, nas articulações. Não fazia sentido insistir nisso quando a tecnologia
pode assumir esse esforço físico”, afirma o engenheiro.

Segundo
ele, esse tipo de decisão dentro da indústria costuma ser menos financeira do
que se imagina. Em muitos casos, substituir uma operação humana por robótica
exige investimento elevado em equipamentos, integração e manutenção. “Hoje, em
diversas situações, o robô ainda custa mais caro do que manter a operação
manual. A escolha acontece porque segurança e saúde ocupacional passaram a ser prioridade
nas plantas modernas”.

Esse
movimento acompanha uma transformação mais ampla no perfil do trabalho
industrial. À medida que sistemas automatizados entram em operação, cresce a
demanda por profissionais que operam, programam e supervisionam essas
tecnologias. O trabalho muda de natureza, mas não desaparece.

Para
Galvez, a principal distorção no debate sobre automação está na forma como a
tecnologia é interpretada fora do ambiente industrial. “O robô não chega para
substituir o trabalhador. Ele chega para substituir um tipo de trabalho que
desgasta o corpo humano ao longo do tempo”.

A
modernização das fábricas brasileiras, cada vez mais conectadas a sistemas de
automação e robótica desenvolvidos por fabricantes globais, tendem a aprofundar
essa transformação. O desafio, segundo Galvez, passa menos por evitar a
tecnologia e mais por preparar trabalhadores para as funções que surgem a
partir dela.

Essa
é a realidade que raramente aparece fora das plantas industriais: em muitas linhas
de produção, a automação não representa o fim do trabalho humano, e sim o fim
de tarefas que historicamente adoeciam quem as executava.

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