Raquel Mozzer: Preencher vaga é fácil. Difícil é decidir bem

Raquel Mozzer: Preencher vaga é fácil. Difícil é decidir bem

Fernanda Leite
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Em um mercado marcado por automação, excesso de candidatos e processos seletivos cada vez mais complexos, o verdadeiro desafio do recrutamento deixou de ser operacional e passou a ser decisório.

Nunca foi tão rápido preencher uma vaga. Plataformas digitais, inteligência artificial, bancos de talentos e testes automatizados transformaram o recrutamento em um processo cada vez mais ágil. Ainda assim, nunca foi tão alto o custo de uma decisão mal tomada.

O paradoxo do mercado atual é claro: enquanto contratar se tornou simples, decidir bem se tornou raro. Processos seletivos inflados, com múltiplas etapas e avaliações padronizadas, muitas vezes não refletem rigor, mas insegurança. Em vez de qualificar escolhas, servem para diluir responsabilidade.

Segundo a headhunter Raquel Mozzer, o erro mais comum das empresas hoje não está na execução do recrutamento, mas na ausência de clareza sobre a decisão que precisa ser tomada. “Há uma obsessão por preencher vagas rapidamente, mas pouca disposição para discutir, de forma honesta, que tipo de profissional sustenta a estratégia do negócio. Quando isso não está claro, qualquer contratação vira um risco”, avalia.

A automação e o uso intensivo de inteligência artificial reforçam essa distorção. Ferramentas organizam dados, cruzam históricos e aceleram etapas, mas não interpretam contexto, cultura organizacional ou impacto humano. Quando a decisão é terceirizada para sistemas, o problema deixa de ser técnico e passa a ser estrutural.

Do outro lado do processo, os efeitos aparecem com rapidez. Turnover elevado, conflitos internos, frustração de lideranças e desalinhamento cultural são sintomas recorrentes de decisões mal sustentadas, e não de falta de candidatos qualificados.

Nesse cenário, o papel do headhunter deixa de ser o de preencher posições e passa a ser o de provocar decisões melhores. Questionar briefings mal definidos, desafiar expectativas irreais e expor incoerências internas torna-se parte essencial do trabalho invisível que evita erros caros no médio e longo prazo.

A discussão, portanto, precisa mudar de eixo. Recrutamento não é um problema operacional. É uma decisão estratégica com impacto direto nos resultados, na cultura e na saúde das organizações. Enquanto empresas continuarem tratando a contratação como execução, e não como escolha consciente, o custo invisível das más decisões seguirá crescendo.

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