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Querem apagar a comunidade LGBTQIA+: Heitor Werneck denuncia derrubada de perfis e crise de apoio à Parada de SP*

*Coordenador artístico da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo afirma que influenciadores e pessoas ligadas ao evento estão tendo contas removidas das redes sociais e diz enfrentar resistência crescente de empresas e plataformas*

A poucos dias da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, uma das maiores manifestações LGBTQIA+ do mundo, o coordenador artístico do evento, Heitor Werneck, afirma enxergar um cenário de crescente silenciamento da comunidade nas redes sociais e no mercado publicitário. Segundo ele, influenciadores, artistas e profissionais ligados ao movimento estariam enfrentando derrubadas de perfis, restrições de alcance e perda de apoio institucional justamente no período do Mês do Orgulho.

Figura histórica da cena underground paulistana e um dos principais nomes por trás da construção artística da Parada, Heitor afirma ter sido diretamente afetado pelo problema após ter seus perfis pessoal e profissional removidos do Instagram.

“Querem apagar a comunidade LGBTQIA+. Não sou só eu. Estamos vendo perfis ligados à Parada, artistas, influenciadores e pessoas que trabalham com essa pauta sendo derrubados ou limitados. Parece uma censura silenciosa”, dispara.

Segundo Heitor, a Meta teria justificado a remoção das contas sob alegação de violação relacionada a “abuso de saúde”, argumento que ele questiona. O produtor cultural afirma ter recorrido à Justiça e obtido uma liminar determinando a reativação dos perfis, mas diz que segue sem acesso às contas.

“Eu entrei com uma liminar, a Justiça determinou o retorno dos perfis, inclusive com multa diária, mas continuo sem acesso. A sensação é de impotência porque hoje tudo passa pelas redes sociais”, afirma.

Para ele, o problema vai além de um prejuízo individual. Heitor afirma que a remoção de perfis impacta diretamente profissionais que dependem das plataformas para trabalhar, divulgar projetos, captar recursos e manter diálogo com o público.

“Sem rede social você perde visibilidade, trabalho, contatos, divulgação. Quem vive de cultura, arte e comunicação sente isso imediatamente. É um apagamento real”, diz.

Diagnosticado com autismo na vida adulta, Heitor relata que parte dos conteúdos publicados abordava justamente inclusão, saúde mental, neurodivergência e dificuldades enfrentadas no mercado de trabalho. Segundo ele, até perfis relacionados a projetos sociais acabaram afetados.

“O mais estranho é que conteúdos extremamente sexualizados continuam circulando normalmente. Enquanto isso, perfis que falam sobre saúde mental, arte, inclusão e dificuldades sociais são removidos. É impossível não questionar o critério”, afirma.

O episódio, segundo Heitor, acontece em paralelo a outro movimento que ele considera preocupante: a retração de marcas e patrocinadores no apoio à comunidade LGBTQIA+, inclusive à própria Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, que completa 30 anos em 2026.

“Existe um direcionamento internacional de recuo. Muitas empresas estão com medo de apoiar pautas LGBTQIA+, medo de se posicionar. Antes, em junho, as marcas disputavam espaço. Agora muitas sumiram”, afirma.

Conhecido pelo discurso provocador e pela defesa histórica dos direitos LGBTQIA+, Heitor não hesita em classificar o cenário como reflexo de preconceito estrutural.

“É preconceito, sim. Quando você deixa de apoiar cultura, projetos sociais e pessoas LGBTQIA+, você manda um recado claro. Querem o nosso consumo, mas não querem investir na nossa existência”, critica.

Heitor também afirma que a dificuldade financeira da Parada expõe uma contradição do mercado publicitário. Segundo ele, grandes festivais e eventos recebem investimentos robustos, enquanto iniciativas LGBTQIA+ frequentemente encontram barreiras.

“Eventos gigantes recebem patrocínio sem dificuldade. Quando é cultura LGBTQIA+, inclusão ou projeto social, a conversa muda. É o famoso pink money: querem o público consumidor, mas sem compromisso real com a comunidade”, afirma.

Figura emblemática da cultura alternativa brasileira desde os anos 1980, Heitor Werneck construiu sua trajetória entre moda, televisão, performance, ativismo e arte. Trabalhou em produções da Globo, criou a grife Escola de Divinos e se tornou referência por unir estética, liberdade sexual e militância em projetos culturais.

Mesmo diante das dificuldades, ele afirma que a edição de 30 anos da Parada será marcada por resistência e posicionamento político.

“A Parada nunca foi só festa. Ela sempre foi sobrevivência, protesto e ocupação de espaço. Se tentam nos apagar das redes, das campanhas e dos espaços culturais, a resposta continua sendo existir com ainda mais força”, finaliza.

SERVIÇO | Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo 2026

Data: Domingo, 7 de junho de 2026

Horário:
* A partir das 10h — concentração do público na Avenida Paulista
* Entre o fim da manhã e o início da tarde — saída dos trios elétricos
* Até o fim da tarde — encerramento previsto do percurso

Local de saída:
Região do MASP, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Trajeto:
Os trios elétricos seguem pela Avenida Paulista no sentido Consolação, com descida pela Rua da Consolação em direção ao centro da cidade.

Tema de 2026:
A edição celebra os 30 anos da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo e traz um tema voltado à mobilização social, participação política e direitos civis da comunidade LGBTQIA+.

Programação:
A Parada contará com 14 trios elétricos, apresentações musicais, performances artísticas, DJs, ativistas e representantes da comunidade LGBTQIA+.

Entre os nomes anunciados estão Gloria Groove, Pabllo Vittar, Urias, Pepita, Diego Martins, Thiago Pantaleão, Melody, Jup do Bairro, Silvetty Montilla, MC Soffia e Majur.

Programação paralela:
Durante o Mês do Orgulho, São Paulo também recebe eventos culturais, debates, encontros e a tradicional Feira Cultural da Diversidade LGBT+, reunindo artistas, empreendedores, coletivos e organizações ligadas à pauta LGBTQIA+.

Orientação ao público:
A organização recomenda acompanhar os canais oficiais da Parada para possíveis atualizações sobre horários, ordem dos trios, alterações no percurso e orientações de mobilidade urbana.

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