Fundado a partir da força da comunidade e do compromisso com o futuro de crianças e adolescentes, o Projeto Rogi Mirim é hoje uma das iniciativas mais relevantes de formação esportiva e social dentro do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Criado em 1998, na Rua 29 de Julho, o projeto nasceu da necessidade urgente de oferecer alternativas concretas à violência, à evasão escolar e à escassez de oportunidades que historicamente afetam jovens da região. Desde o início, o Rogi Mirim teve um propósito claro: utilizar o esporte, especialmente o futebol, como instrumento de transformação social, educação e cidadania.
Em 2007, o projeto foi oficialmente registrado como instituição, passando a atuar de forma regular junto à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ). A partir daí, consolidou sua presença no futebol amador e de base, ampliando sua atuação e reconhecimento no cenário esportivo fluminense.
À frente do Rogi Mirim está Gláucio Aleixo Lima, cria do Complexo da Maré, que vivencia desde cedo os desafios sociais enfrentados por crianças e jovens da periferia. Gláucio encontrou no futebol não apenas uma paixão, mas um caminho para gerar impacto positivo.
Ainda jovem, começou a organizar treinos e atividades esportivas de forma voluntária, transformando o campo em um espaço de acolhimento, disciplina, aprendizado e esperança. Sua trajetória se confunde com a do próprio projeto, que carrega em sua essência o olhar de quem conhece a realidade da comunidade por dentro.
“O Rogi Mirim é muito mais do que um projeto esportivo, ele é a prova viva de que a favela também produz sonhos, talentos e futuros. O Rogi Mirim nasceu da necessidade, mas cresceu pela fé e pela esperança de que nossas crianças merecem mais do que as estatísticas que a sociedade insiste em colocar sobre elas. Fazer parte desse projeto é carregar uma responsabilidade enorme, mas também um orgulho imenso. Eu vejo no olhar de cada menino e de cada menina a chance que muitas vezes eu mesmo não tive na infância. Aqui, a gente não forma só atletas, a gente forma caráter, disciplina, respeito e principalmente autoestima. O Rogi Mirim impacta o futuro porque mostra para essas crianças que elas podem ir além da Maré, além das dificuldades, além dos limites que tentam impor. Cada treino, cada viagem, cada oportunidade em um grande clube é a confirmação de que valeu a pena não desistir. Ser parte disso é entender que minha missão vai muito além do futebol. É sobre transformar realidades, abrir caminhos e deixar um legado para que outras gerações possam sonhar mais alto do que a gente sonhou um dia”, expressou Gláucio Aleixo Lima.
No Rogi Mirim, o futebol vai além da competição. O projeto trabalha com crianças e adolescentes, principalmente nas categorias Sub-12, Sub-13, Sub-15 e Sub-17, participando de campeonatos amadores oficiais, competições organizadas pela FERJ, além de torneios regionais e interestaduais. A filosofia é clara: o treino é educação, o jogo é aprendizado e a competição é formação de caráter.
Mesmo sem patrocínio fixo, o Rogi Mirim acumula conquistas expressivas, como finais invictas, prêmios de melhor defesa e melhor ataque, além da revelação de atletas que seguiram carreira no futebol. O projeto também já levou jovens para avaliações em clubes profissionais como Vasco da Gama, Bahia, entre outros, proporcionando experiências inéditas, como a primeira viagem de avião para muitos deles.
O Rogi Mirim atua diretamente com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, oferecendo muito mais do que a prática esportiva. O projeto cria um ambiente seguro, com referências positivas, incentivo à disciplina, ao respeito e ao fortalecimento da autoestima e do sentimento de pertencimento.Ao longo de sua história, o projeto já promoveu e desenvolveu diversas ações sociais e culturais, como: cursos de inglês, curso de garçom, oficinas de teatro, dança, percussão e atividades culturais e educativas.
Mesmo diante da perda de patrocínios, especialmente a partir de 2010, o Rogi Mirim nunca interrompeu suas atividades, o projeto precisou se reinventar, manteve o futebol ativo e seguiu ao lado das crianças e jovens da comunidade, tornando-se um exemplo de resiliência e compromisso social.
A educação é um dos pilares fundamentais do projeto. No Rogi Mirim, a mensagem é direta e inegociável: sem escola, não há futebol. O projeto incentiva a frequência escolar, o bom comportamento, o respeito aos professores, à família e à comunidade, além de estimular sonhos que vão muito além das quatro linhas.
Mais do que formar atletas, o Projeto Rogi Mirim forma cidadãos, contribuindo de maneira concreta para a construção de futuros possíveis dentro e fora do esporte.
Projeto Rogi Mirim: Esporte como ferramenta de transformação social no Complexo da Maré
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