De acordo com especialistas, O PMMA é uma substância sintética composta por microesferas plásticas suspensas em gel. Diferentemente dos preenchedores à base de ácido hialurônico, que são absorvidos gradualmente pelo organismo, o PMMA permanece permanentemente no corpo. Seu uso é autorizado em situações específicas da medicina, como na correção de pequenas deformidades e em casos de lipodistrofia facial associada ao HIV, mas seu emprego com finalidade exclusivamente estética sempre foi alvo de controvérsias entre especialistas.
A principal preocupação está relacionada ao fato de o produto não ser reabsorvível. Uma vez aplicado, ele pode desencadear reações inflamatórias tardias, formação de granulomas, infecções, deformidades permanentes e processos de rejeição pelo organismo. Em casos mais graves, o material pode migrar para outras regiões do corpo ou aderir a músculos, nervos e estruturas ósseas, tornando sua remoção extremamente complexa e, muitas vezes, impossível.
Para a biomédica esteta Dra. Michelli Pacheco, a decisão do Conselho Federal de Medicina reforça um alerta que muitos profissionais sérios já faziam há bastante tempo.
“Sou totalmente favorável à proibição. A estética moderna precisa caminhar junto com a segurança do paciente. Nenhum resultado estético justifica expor uma pessoa a riscos permanentes e, muitas vezes, irreversíveis”, afirma.
Segundo a especialista, o PMMA nunca fez parte dos protocolos adotados em sua prática clínica. A escolha foi baseada justamente nas evidências científicas que apontam os riscos relacionados ao produto.
“Eu nunca utilizei PMMA em nenhum procedimento porque sempre soube das possíveis complicações. Hoje existem alternativas muito mais seguras, previsíveis e compatíveis com a proposta de uma estética responsável”, destaca.
A biomédica relata ainda que já recebeu pacientes que possuíam PMMA previamente aplicado em outras clínicas e optou por não realizar novos procedimentos estéticos nesses casos.
“Quando identificamos a presença de PMMA no organismo, qualquer intervenção precisa ser analisada com extrema cautela. Em muitos casos, prefiro não realizar o procedimento. O risco de intercorrências pode ser maior, e a segurança do paciente deve sempre vir em primeiro lugar”, explica.
Nos últimos anos, diversos relatos de complicações associadas ao PMMA ganharam repercussão nacional. Pacientes enfrentaram inflamações severas, deformidades estéticas, dores crônicas e múltiplas cirurgias corretivas. Muitos convivem até hoje com sequelas físicas e emocionais decorrentes da aplicação da substância.
A discussão também levanta um debate mais amplo sobre a importância da escolha criteriosa dos procedimentos estéticos. O crescimento acelerado do setor nos últimos anos aumentou a procura por intervenções corporais e faciais, mas também evidenciou a necessidade de priorizar técnicas respaldadas por estudos científicos e realizadas por profissionais habilitados.
Para Dra. Michelli Pacheco, o momento serve como reflexão para pacientes e profissionais.
“A estética deve promover autoestima, bem-estar e qualidade de vida. Quando um procedimento oferece riscos elevados e consequências permanentes, ele deixa de cumprir esse papel. A proibição do PMMA para fins estéticos é uma vitória da segurança e da responsabilidade profissional”, conclui.
A expectativa é que a nova resolução contribua para reduzir complicações associadas ao uso da substância e fortaleça uma cultura de procedimentos cada vez mais seguros, éticos e baseados em evidências científicas.