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Educação

Professor é profissão de risco?

Theodoro Lutemberg de Souza (*) e Vera Cristina Scheller dos Santos Rocha (*)

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Professor é profissão de risco?

Nunca pensamos que levantaríamos esse tipo de questionamento ou essa possibilidade para os professores. No período em que éramos estudantes do Ensino Médio ou enquanto estávamos realizando a primeira graduação, isso era praticamente impensável, pois o professor era respeitado pela sociedade.

Já há algum tempo, o professor é colocado como responsável pelo fracasso do desempenho escolar, que precisa mudar, adquirir novos conhecimentos, modificar seus métodos, descer do pedestal e estar mais próximo dos alunos. Nesse contexto, o professor mudou sua metodologia de ensino e, mesmo assim, continua sendo desvalorizado. Ao mudar sua postura, passou a ser confrontado por alunos e aumentou o desrespeito, também perdeu a autoridade.

Ocorreram mudanças na postura dos professores e atualmente ele é visto como um orientador, um profissional que estimula a ampliação do conhecimento mostrando caminhos e transmitindo conhecimento de maneira que os alunos se encantem por aprender cada dia mais. Diferente da figura autoritária do passado, que muitos ainda tentam imputar aos professores atuais, hoje somos alvo da violência, agressões físicas e verbais no exercício da nossa atividade profissional.

Mesmo o profissional da educação mudando sua postura para se adaptar às novas formas de ensino e interação com os alunos, houve um aumento da violência contra os profissionais da educação. Qual a razão dessa violência contra aqueles que dedicam sua vida a ensinar?

Esse ano tivemos um triste ataque que ocorreu em Santa Catarina, na cidade de Saudade onde uma escola do ensino infantil foi invadida por um jovem que assassinou três crianças e duas mulheres. Começamos então a lembrar de outros fatos e, ao pesquisar, ficamos impressionados e extremamente preocupados com o fato de que esses episódios em escolas brasileiras estão, de maneira geral, se tornando recorrentes no Brasil. Tivemos a lembrança da invasão da creche em Janaúba, Minas Gerais, situação que também chamou a atenção do país por ter ocorrido em creche de crianças ainda no ensino infantil.

Lembramos também de 2019 quando ocorreu em Suzano, cidade da grande São Paulo, um ataque deixou oito mortos, ou em 2018 um problema parecido em Medianeira, região oeste do Paraná, sem registro de mortos mas com dois estudantes feridos, ou em 2017 um caso em Goiânia com dois mortos e quatro feridos. Teve ainda em 2012 uma ocorrência em João Pessoa com três alunas feridas, em 2011 ocorreu um ataque em São Caetano do Sul e o aluno matou uma professora, e ainda os casos de Realengo em 2011, de Taiúva em 2003, de Salvador em 2002, entre tantos outros atos de extrema violência que ocorrem contra alunos e professores.

Observamos que os episódios se repetiram em todo o Brasil e não podemos classificá-los de uma maneira simples, afinal ocorreram em escolas que vão do ensino infantil ao ensino médio. Os ataques sempre apresentam uma explicação que, na verdade, não os justificam e sim ajudam a entender os motivos. Usar esse conhecimento pode ajudar no objetivo de impedir outros acontecimentos similares. Compreender o que ocorre dentro das escolas é uma necessidade e acreditamos que implementar um acompanhamento psicológico dos alunos pode ser uma medida importante de prevenção. Afinal, fica um questionamento: tantos ataques nas escolas refletem um problema apenas das escolas ou de toda a sociedade?

(*) Theodoro Lutemberg de Souza – Licenciado em Geografia e Especialista em Educação Ambiental, professor da Área de Educação do Centro Universitário Internacional UNINTER

Professor é profissão de risco?(*) Vera Cristina Scheller dos Santos Rocha – Licenciada em Geografia e Especialista em Gerenciamento de Recursos Ambientais, professora da Área de Educação do Centro Universitário Internacional UNINTER

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