Diversificar a carteira costuma ser uma estratégia para equilibrar riscos e buscar rentabilidade no mercado financeiro. No entanto, a volatilidade da renda variável frequentemente gera hesitação por conta do risco de perdas, fazendo com que a relação entre risco e retorno ganhe relevância na composição da carteira.
Nesse sentido, o mercado desenvolveu instrumentos financeiros que combinam a limitação de prejuízos no valor nominal investido com a possibilidade de ganhos em mercados mais dinâmicos. O mecanismo utilizado no Brasil é o Certificado de Operações Estruturadas (COE) na modalidade de Valor Nominal Protegido, que une elementos da renda fixa e da renda variável.
Porém, contar com a garantia do capital aplicado não elimina a necessidade de considerar outros fatores essenciais. Isso inclui analisar as opções de investimento na renda fixa, a ausência de cobertura pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a exigência de permanência até o vencimento e a tributação sobre os rendimentos.
Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento.
Definição de capital protegido e seu objetivo principal
O conceito de capital protegido consiste em uma garantia de natureza estrutural segundo a qual a instituição emissora assegura a devolução de ao menos 100% do valor nominal investido no vencimento da operação, independentemente do desempenho do ativo subjacente.
A função central é permitir que o investidor acesse mercados de maior risco, como ações, moedas ou commodities, sem submeter o valor principal ao risco de perda nominal caso o mercado avance em sentido contrário ao projetado.
Essa proteção refere-se exclusivamente ao valor nominal em moeda corrente, não assegurando ganho real, de modo que a inflação registrada durante o período de vigência da operação pode reduzir o poder de compra caso o retorno do ativo seja nulo.
A garantia também tem validade condicionada à data de encerramento do contrato, tornando o cumprimento do prazo estabelecido um requisito para a consolidação da proteção contratada, estando o seu cumprimento integral sujeito, ainda, ao risco de crédito associado à solvência da instituição emissora.
Como a engenharia financeira viabiliza a proteção do capital?
Essa proteção do principal é estruturada em diferentes componentes, cada um com uma função específica. Uma parcela dos recursos é destinada a ativos de renda fixa, com o objetivo de recompor o valor nominal investido no vencimento. Outra parcela pode ser direcionada a derivativos vinculados ao ativo ou índice de referência.
Essa segunda parcela permite que o investidor tenha exposição ao potencial de valorização do ativo subjacente, de acordo com as condições previamente estabelecidas na estrutura.
Dessa forma, a estrutura busca combinar a proteção do capital nominal com a possibilidade de participação em determinados movimentos positivos do mercado. A proteção está condicionada às características específicas do produto e ao risco de crédito da instituição emissora.
Diferença entre capital protegido e capital em risco
Os Certificados de Operações Estruturadas são divididos em duas categorias principais: Valor Nominal Protegido e Valor Nominal em Risco. A diferença central entre elas reside na intensidade do risco assumido em relação ao patrimônio aportado.
Na modalidade com capital em risco, o investidor aceita a possibilidade de perder parte ou a totalidade do valor principal investido, em troca da oportunidade de obter tetos de rentabilidade mais elevados ou condições de ganho favoráveis.
Na modalidade com garantia de valor nominal, o investidor conta com a preservação do valor nominal inicialmente aplicado no vencimento, conforme as condições estabelecidas no produto, mesmo diante de um desempenho desfavorável do ativo de referência. Para escolher uma das alternativas, é importante observar a tolerância a variações financeiras e a adequação ao perfil de cada investidor.
Impacto dos prazos e da liquidez na proteção oferecida
Existe uma relação direta entre a vigência estipulada para o título e a efetividade da proteção do capital. A garantia de devolução do valor nominal investido aplica-se somente no encerramento da operação. Caso haja necessidade de resgate antes da data de vencimento pactuada, o título pode ficar sujeito às regras e oscilações da marcação a mercado no ambiente secundário de negociação.
A alienação antecipada do ativo ocorre pelo preço de mercado do momento, o qual sofre influência direta das flutuações nas taxas de juros, do tempo restante para o encerramento do contrato e da volatilidade dos ativos atrelados.
Com isso, a venda prévia pode ser realizada por um valor inferior ao capital inicialmente aportado, resultando em prejuízo financeiro. A aplicação nessa modalidade exige o alinhamento do horizonte do investimento com o prazo do contrato, direcionando os aportes para recursos que não demandem liquidez imediata.
Riscos de crédito do emissor e a ausência de FGC
Do ponto de vista institucional, a proteção do valor nominal em um COE de capital protegido está vinculada à capacidade financeira da instituição emissora de cumprir as condições estabelecidas no produto até o vencimento. Não há, nesse caso, uma garantia externa que assegure o pagamento ao investidor, reforçando a importância de verificar a solidez do emissor e as condições específicas da estrutura contratada.
Essas características, incluindo cenários de desempenho, riscos, ativos subjacentes e tributação, devem ser detalhadas no Documento de Informações Essenciais (DIE). O documento deve ser disponibilizado ao investidor antes da aquisição do COE e funciona como instrumento de transparência para a compreensão das características e dos riscos da operação.
O DIE sinaliza sobre o risco de crédito, evidenciando que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) não oferece cobertura para COEs, diferentemente do que ocorre com determinados instrumentos de renda fixa tradicionais, como os Certificados de Depósito Bancário (CDB) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCI). Certificar-se dos termos contidos no DIE e das regras da operação contribui para uma decisão de investimento mais consciente e adequada ao perfil do investidor.