O Exame que Salva: campanha quer transformar informação em prevenção ao câncer bucal
Divulgação

Criada a partir de mais de três décadas de experiência na odontologia, iniciativa idealizada pelo Dr. Ronaldo Dias busca ampliar o diagnóstico precoce, conscientizar a população e mobilizar também os profissionais de saúde

Uma ferida que não cicatriza. Uma mancha diferente na língua. Um pequeno caroço que não dói. Alterações aparentemente simples podem passar despercebidas por semanas ou até meses e é justamente esse desconhecimento que a campanha O Exame que Salva, idealizada pelo Dr. Ronaldo Dias, pretende combater.
A iniciativa nasceu da experiência do cirurgião-dentista que, desde o início de sua formação, se dedica a falar sobre prevenção do câncer bucal e sobre a importância de cada pessoa conhecer e observar a própria boca.
“Depois das palestras, muitas pessoas começaram a me procurar no consultório dizendo: ‘Doutor, eu tenho uma ferida aqui’, ‘tem uma mancha que não desaparece’, ‘apareceu uma coisa na minha língua’. Foi quando comecei a perceber que o problema era muito maior e mais frequente do que imaginava”, relata Dr. Ronaldo Dias.
Com o passar dos anos, o contato direto com pacientes e com o público mostrou também outro ponto preocupante: muitas pessoas sequer sabem que podem desenvolver câncer na boca.
Foi dessa constatação que surgiu um dos principais pilares da campanha: transformar cada pessoa informada em um agente multiplicador da prevenção.
“Eu sempre falava: você aprendeu isso hoje? Então ensine para sua mãe, para o seu pai, seus filhos, seus amigos. Mostre para outra pessoa. A informação começa com uma pessoa e vai chegando a muitas outras.”

Quando uma “feridinha” merece atenção

Um dos maiores desafios do câncer bucal é justamente o fato de alterações iniciais poderem parecer banais.
Uma lesão pode ser confundida com uma afta. Uma mancha pode não provocar qualquer desconforto. Um pequeno endurecimento pode surgir sem dor.
Entre os sinais que merecem avaliação profissional estão feridas ou úlceras na boca ou nos lábios que não cicatrizam em cerca de 15 dias, manchas brancas ou avermelhadas persistentes, caroços ou áreas endurecidas na boca ou no pescoço, sangramentos sem causa aparente, alterações na movimentação da língua e dificuldades persistentes para mastigar, engolir ou falar.
A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer. O alerta está principalmente na persistência da alteração.
“O erro é esperar meses para descobrir o que poderia ter sido investigado no começo. No câncer bucal, não sentir dor não significa que não exista um problema”, alerta Dr. Ronaldo Dias.
O diagnóstico precoce pode fazer uma diferença decisiva. Quando a doença é identificada em fases iniciais, as possibilidades terapêuticas tendem a ser menos agressivas e as chances de preservar funções e estruturas da boca e da face são maiores.
Quando descoberta tardiamente, porém, a doença pode exigir cirurgias e outros tratamentos extensos, com impactos importantes na fala, alimentação, aparência e qualidade de vida.

Dentista precisa olhar além dos dentes

A campanha também direciona uma mensagem importante à própria odontologia.
Segundo Dr. Ronaldo Dias, embora o dentista tenha formação para observar alterações nos tecidos da boca, a rotina do consultório pode acabar excessivamente concentrada nos dentes.
“Fazemos restauração, implante, prótese, ortodontia… mas não podemos esquecer que existe uma pessoa inteira sentada naquela cadeira.”
A avaliação da boca deve incluir língua, região sob a língua, bochechas, lábios, gengivas e palato.
“Às vezes uma alteração está ali. Na língua, embaixo da língua, na bochecha, no lábio. Se estivermos olhando somente para os dentes, podemos deixar passar alguma coisa extremamente importante.”
Casos suspeitos podem exigir avaliação especializada, inclusive de profissionais como os estomatologistas, além da realização de exames complementares e, quando indicada, biópsia.
Para a campanha, portanto, a prevenção depende de duas frentes complementares: uma população que saiba reconhecer alterações e procure atendimento e profissionais atentos à boca como um todo.
Conhecer a própria boca também é prevenção
Tabagismo e consumo excessivo de álcool estão entre os principais fatores de risco conhecidos para o câncer da cavidade oral. A exposição solar prolongada sem proteção também está relacionada principalmente ao câncer de lábio, enquanto a infecção pelo HPV tem papel importante especialmente em tumores da orofaringe.
Além disso, qualquer lesão persistente em uma região submetida a trauma causado, por exemplo, por um dente quebrado, uma prótese mal adaptada ou uma dentadura que machuca repetidamente o mesmo ponto  deve ser avaliada.
O mais importante é não atribuir automaticamente uma ferida persistente ao trauma e simplesmente esperar que desapareça.
“Se alguma coisa estiver machucando sua boca, resolva. E se uma ferida ou alteração persistir por mais de 15 dias, mesmo sem dor, procure um dentista. Não espere”, orienta Dr. Ronaldo.
O autoexame também pode ajudar as pessoas a perceber mudanças. Observar periodicamente lábios, língua, laterais e parte inferior da língua, bochechas e outras estruturas da boca aumenta a familiaridade com o próprio corpo e pode facilitar a identificação de algo diferente.

Uma corrente nacional de prevenção

O objetivo do O Exame que Salva é crescer para além dos consultórios e transformar a informação sobre câncer bucal em uma verdadeira cultura de prevenção.
A inspiração são campanhas que conseguiram colocar determinados temas de saúde no cotidiano da população.
“Queremos que O Exame que Salva tenha uma força de mobilização como grandes campanhas nacionais, com presença na mídia, nas redes sociais, nas escolas e nas universidades”, afirma Dr. Ronaldo .
Para alcançar essa dimensão, o projeto busca reunir profissionais de saúde, instituições de ensino, sociedade civil, veículos de comunicação e também personalidades das áreas artística e esportiva.
Foi justamente pensando em ampliar o alcance da mensagem que Dr. Ronaldo Dias convidou o biomédico Roberto Figueiredo, conhecido nacionalmente como Dr. Bactéria, para atuar como embaixador do projeto.
Os dois se conheceram durante o trabalho em uma rádio de São Paulo.
“Percebi que sozinho poderia continuar fazendo palestras, falando com pacientes e chegando a algumas pessoas, mas seria muito difícil transformar isso em um movimento nacional. O Dr. Bactéria já tinha uma história enorme ligada à prevenção, credibilidade e acesso aos grandes veículos de comunicação.”
Uma das primeiras reações do comunicador ao conhecer a iniciativa ficou marcada.
“Ele me falou: ‘Nós vamos ajudar muita gente com uma campanha dessas, né?’. E respondi: ‘Vamos ajudar muita gente, Bactéria. A gente precisa de holofote para isso. As pessoas precisam saber.”

“Por trás de uma lesão existe uma pessoa”

Mais do que divulgar sinais e sintomas, a proposta do movimento é lembrar que o diagnóstico nunca se resume a uma doença.
“Por trás de uma lesão existe uma pessoa. Existe uma família. Existe uma história. Existe uma vida”, resume.
É por isso que a campanha defende uma odontologia cada vez mais preventiva e humanizada e quer colocar o câncer bucal no centro do debate público.
A mensagem que encerra o projeto é simples, mas poderosa:
Informação gera prevenção.
Prevenção leva ao diagnóstico precoce.
E o diagnóstico precoce salva vidas e preserva sorrisos.
Esse é o propósito de O Exame que Salva,

Leia mais em: https://imprensabr.com/o-exame-que-salva-campanha-quer-transformar-informacao-em-prevencao-ao-cancer-bucal/ (O Exame que Salva: campanha quer transformar informação em prevenção ao câncer bucal – Imprensabr)

Encontrou algum erro? Entre em contato