“Quero ser Elke
Maravilha” fará temporada no Teatro Candido Mendes, em Ipanema
Um
tributo à mulher que transformou a sua vida em um ato radical de liberdade. Nos
10 anos sem Elke Maravilha (1945-2016), a icônica artista terá parte da sua
história revisitada no monólogo “Quero ser Elke Maravilha”, que estreia no
Teatro Candido Mendes, em Ipanema, temporada de 14 a 30 de agosto, com sessões
de sexta a domingo, às 20h.
Idealizado
e encenado por Igor Castilho, que também assina texto e dramaturgia com Rodrigo
Murat, o espetáculo atravessa a jornada de um rapaz que, após ser chamado de “Elke
Maravilha” pelos colegas da escola, se recolhe no seu quarto para compreender
esse apelido. Entre memórias, delírios e fabulações, ele recria os episódios
mais emblemáticos da vida da artista, como a primeira vez em que vestiu uma
roupa extravagante e quando criou a maquiagem que se tornaria sua marca
registrada, e acaba descobrindo diversos paralelos com a sua própria
trajetória. Nesse processo de investigação, o jovem percebe que contar a
história de Elke Maravilha é também contar a sua própria história – e a de
tantas outras pessoas que, assim como ele, buscam a possibilidade de existir
para além da normatividade. A direção artística é de Jhoão Scarpa.
–
A voz de Elke, mesmo depois de 10 anos de ter ido “brincar de outra coisa”,
como dizia, continua ecoando como um convite à autenticidade. E foi por ter
aceitado esse convite, na adolescência, que passei a enxergar a Elke como uma
inspiração para acolher as minhas singularidades e me apropriar delas como
qualidades, e não defeitos – destaca Igor Castilho.
Igor
conta que o projeto nasceu do desejo de compartilhar com o público esse
processo de identificação com Elke, na esperança de inspirar outras pessoas que
ainda se sentem pressionadas a esconder suas diferenças a reconhecê-las como
parte de sua potência.
–
Ao aproximar essas duas trajetórias, a ideia é propor uma reflexão sobre
identidade, pertencimento e liberdade, mostrando que aquilo que muitas vezes é
visto como motivo de ridicularização pode se tornar justamente a maior fonte de
força e expressão do sujeito – completa.
De refugiada de guerra à consagração na TV
Personalidade
da televisão, ativista, modelo, apresentadora e atriz, Elke Maravilha nasceu
Elke Georgievna Grünupp em Leningrado, hoje São Petersburgo, na Rússia. Chegou
ao Brasil com seus pais aos quatro anos, em 1949, fugindo da perseguição
política deflagrada pela Rússia contra o seu pai, considerado traidor da pátria
por ter se rebelado contra o próprio país para lutar como guerrilheiro
voluntário pela Finlândia na Guerra de Inverno, durante a Segunda Guerra
Mundial. A família se estabeleceu primeiramente em Itabira (MG), mudando depois
para Atibaia (SP) e Bragança Paulista (SP), dedicando-se sempre à agricultura.
Naturalizou-se
brasileira só nos anos de 1960, quando retornou à Minas Gerais e ganhou o
concurso de beleza “Glamour Girl”, em Belo Horizonte. Depois, a família Grünupp
foi morar em Porto Alegre (RS), onde Elke valeu-se da fluência em oito idiomas
– muitos deles aprendidos no próprio ambiente familiar – para trabalhar como secretária
bilíngue, além de ser a mais jovem professora de francês da Aliança Francesa e
de inglês na União Cultural Brasil–Estados Unidos. Lá, ela também cursou
cadeiras nas faculdades de Filosofia, Medicina e Letras da UFRGS e se formou
tradutora e intérprete de línguas estrangeiras.
Aos
20 anos, passou dois anos morando na Europa, onde conheceu o seu primeiro
marido, Alexandros Evremidis (1940-2014), responsável por incentivar Elke a
começar a atuar como modelo e manequim, em 1969. Devido ao seu jeito
irreverente – e revolucionário – de desfilar sorrindo, Elke logo chamou a
atenção dos principais estilistas da época, tornando-se grande amiga de
Clodovil, Guilherme Guimarães, Dener e Zuzu Angel, chegando a ser presa pela
ditadura militar por protestar contra prisão do filho da estilista, Stuart
Angel Jones, em 1972, ocasião na qual perdeu a sua cidadania brasileira e se
tornou apátrida.
O
sucesso nas passarelas a levou a estudar atuação e, como atriz, trabalhou no
cinema, no teatro e na televisão, marcando presença em produções importantes,
como os filmes “Xica da Silva”, de Cacá Diegues, pelo qual foi premiada com o
troféu “Coruja de Ouro” de melhor atriz coadjuvante (1975), e “Pixote”, de
Héctor Babenco, além da peça “Orfeu da Conceição” e da novela “A Volta de Beto
Rockfeller”, na extinta TV Tupi.
Mas
foi como jurada de TV nos programas de auditório de Chacrinha e Silvio Santos
que sua irreverência e visual ganhou o país, chegando até a ganhar uma atração
própria em 1993, no SBT, tornando-se também uma referência para a comunidade
LGBTQIAPN+.
Serviço:
Temporada:
de 14 a 30 de agosto
Sessões:
sextas, sábados e domingos, às 20h
Local:
Teatro Candido Mendes – Rua Joana Angélica, 63, Ipanema, Rio de Janeiro – RJ
Entrada:
R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), vendas no site https://bileto.sympla.com.br/event/123127/d/396210
Obs.:
Não será permitida a entrada após o início do espetáculo.
Obs.(2):
há 2 categorias de cortesias (i) *trans free* (2 ingressos por sessão), e (ii)
*drag free* (1 ingresso por sessão), para pessoas autodeclaradas transgênero ou
dragqueens.
Gênero:
Monólogo
Duração:
70 min
Classificação
etária: 14 anos
Rede social: https://www.instagram.com/elkemaravilhateatro/
Ficha técnica:
Idealização
e atuação: Igor Castilho
Direção
artística: Jhoão Scarpa
Texto
e dramaturgia: Igor Castilho e Rodrigo Murat
Contribuição
dramatúrgica: Jhoão Scarpa
Produção
executiva: Igor Castilho
Assistência
de produção: Marcela Galdino e Matos
Cenografia:
Daio Moreira
Iluminação:
Nathan Barbosa
Figurinos:
Jhoão Scarpa
Adereços:
Igor Castilho
Marketing
digital: Marcos Eduardo
Gestão
de tráfego: Arthur Herculano
Assessoria
jurídica: Marcela Galdino e Matos
Assessoria
de imprensa: Carlos Pinho
Direção
de arte: Igor Xavier
Fotos
de estúdio: Marcela Saraceni
Realização:
Creia Produções Ltda.
Apoio:
Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, Espaço Cultural Municipal Sala Baden
Powell, Par Produções Artísticas e Teatro Cândido Mendes
Agradecimentos:
Fernanda Becker, Fernando Melvin, Solange Maia Quadros, Ton Garcia e Yuri
Cerroso.