Móveis planejados não devem ser a última etapa da obra
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Por
Laércio Carlos Marchioni Filho

Em
muitas obras, os móveis planejados só entram na discussão quando paredes,
revestimentos, tomadas e pontos hidráulicos já estão definidos. A instalação realmente
acontece perto do fim, mas deixar o planejamento para esse momento pode
transformar decisões simples em adaptações caras.

Um
móvel planejado não é apenas uma peça encaixada em um ambiente pronto. Seu
projeto depende das dimensões do espaço, da posição de tomadas e pontos de
água, dos eletrodomésticos, da iluminação e da circulação. Quando essas
definições acontecem separadamente, problemas que poderiam ser resolvidos no
projeto aparecem durante a montagem.

Esse
cuidado ganha importância diante da alta dos custos da construção. Segundo o
Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi),
calculado pelo IBGE em parceria com a Caixa Econômica Federal, o custo nacional
chegou a R$ 1.993,76 por metro quadrado em agosto de 2026, acumulando alta de
5,41% no ano e de 7,03% em 12 meses. O valor é uma referência média para os
custos no canteiro e não inclui despesas como projeto, terreno, licenças,
administração e financiamento.

Com
valores mais elevados, refazer instalações ou alterar etapas já concluídas
tende a aumentar as despesas. Antecipar decisões sobre os móveis pode reduzir o
risco de retrabalho e custos adicionais. Ao longo de mais de duas décadas
trabalhando com móveis planejados, acompanhei projetos desde etapas iniciais da
construção. Essa integração permite antecipar medidas e necessidades que depois
terão impacto direto no mobiliário.

Uma
cozinha é um exemplo claro. A posição de forno, micro-ondas, geladeira e outros
equipamentos interfere no desenho dos armários e nos pontos de energia. O mesmo
vale para equipamentos que dependem de água. Se o projeto do mobiliário chega
depois, muitas vezes é ele que precisa se adaptar à infraestrutura existente,
mesmo quando aquela não é a melhor configuração.

Planejar
antes também permite pensar no uso real do ambiente. Portas e gavetas precisam
abrir sem obstáculos, equipamentos devem permanecer acessíveis e a distribuição
interna precisa acompanhar a rotina dos moradores. Não basta o móvel caber. Ele
precisa funcionar.

Isso
não significa antecipar a fabricação ou a montagem. Medidas finais e condições
da obra continuam determinantes para essas etapas. O que precisa mudar é a
ordem das decisões: a instalação pode ser uma das últimas etapas da obra, mas o
planejamento dos móveis não deveria ser.

Quando
arquitetura, instalações e mobiliário são pensados de forma integrada, diminui
a necessidade de improvisar depois. O resultado não aparece apenas no
acabamento. Está também na tomada que ficou no lugar certo, no ponto hidráulico
previsto com antecedência e no espaço que funciona como deveria.

No
fim, um bom projeto de móveis planejados começa muito antes da marcenaria
chegar à obra.

Laercio Carlos Marchioni Filho é
empresário e especialista em móveis planejados de alto padrão, com mais de 20
anos de experiência no setor moveleiro. Atua em todas as etapas da marcenaria,
do desenvolvimento à fabricação e instalação, com conhecimento técnico em
materiais, ferragens, acabamentos e soluções personalizadas para projetos
residenciais e comerciais.

Referência

·
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E
ESTATÍSTICA (IBGE). Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da
Construção Civil (Sinapi). Agosto de 2026.

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