Revelação da literatura contemporânea, a escritora Maria Klien vive um momento especial na carreira. Seu livro Guia de autodomínio para uma vida melhor , ganhou destaque nacional ao aparecer nos capítulos finais da novela Vale Tudo, sendo lido por ninguém menos que a icônica personagem Odete Roitman, um feito simbólico que reafirma a força e a relevância de sua escrita .
Entre o reconhecimento do público e a consolidação de sua voz literária, batemos um papo com Maria Klien para falar sobre Natal, Ano Novo e os afetos que atravessam sua obra, marcada por profundidade emocional, escuta sensível e reflexões sobre o tempo, o corpo e a existência.
Para Maria, o Natal é menos sobre excesso e mais sobre pausa.
“O Natal marca, para mim, um tempo de desaceleração e recolhimento”, afirma. Esse clima inevitavelmente se reflete em sua escrita, que nesse período se torna mais introspectiva e menos orientada à produção.
“As palavras surgem com mais densidade emocional, a partir da observação, da memória e da escuta interna. Costumo dizer que, nessa época, escrevo menos para explicar e mais para compreender.”
As lembranças mais marcantes da autora remetem à infância, vivida nas casas das avós.
“Eram celebrações alegres, muito vivas: a família reunida em volta da árvore, a casa cheia, risos, afeto e presença”, recorda.
Essas experiências de pertencimento e acolhimento aparecem de forma sutil em seus livros, especialmente quando aborda temas como segurança emocional, vínculo e cuidado. “São referências internas que atravessam a minha escrita, mesmo quando não estão nomeadas diretamente.”
Em tempos de exaustão emocional coletiva, Maria acredita que o Natal pode cumprir um papel essencial.
“Ele nos lembra da necessidade de pausa, de encontro e de presença. Desacelerar não é fraqueza, mas um gesto essencial de cuidado e lucidez.”
Se pudesse deixar um recado ao público neste fim de ano, Maria Klien seria direta e acolhedora:
“Eu ofereceria uma mensagem de autorização interna: a permissão para sentir, para descansar e para não corresponder o tempo todo às expectativas externas.”
Para ela, o verdadeiro presente do Natal está na consciência de que o valor humano não está na performance, mas na existência. “Essa consciência, por si só, já é um presente.”
O olhar para o futuro segue alinhado à sua essência.
“Como escritora, desejo continuar sendo ponte entre o corpo e a palavra, entre a ciência e o sensível, entre o medo e a autonomia.”
Como ser humano, o pedido é simples e profundo:
“Mais presença do que pressa, mais escuta do que controle. Que o próximo ano seja guiado por escolhas coerentes com aquilo que defendo e vivo tanto na escrita quanto na vida.”
Com uma trajetória em ascensão e uma escrita que toca pela verdade e pela delicadeza, Maria Klien confirma seu lugar como uma das vozes mais potentes e necessárias .
