Inteligência de dados e IA redefinem a estratégia de eventos corporativos

Inteligência de dados e IA redefinem a estratégia de eventos corporativos

Fernanda Leite
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Leitura comportamental e análise preditiva transformam encontros presenciais em plataformas de inteligência de mercado

A aplicação de inteligência de dados e inteligência artificial (IA) vem alterando a lógica dos eventos corporativos no Brasil e no exterior. Em um cenário de maior pressão por eficiência, mensuração de retorno e geração de negócios qualificados, encontros presenciais deixam de ser ações pontuais de relacionamento para se consolidar como fontes contínuas de informação estratégica sobre comportamento, interesse e intenção de compra do público.

Esse movimento se reflete em iniciativas como o NiLab, da NürnbergMesse, que passaram a estruturar seus eventos a partir da coleta e da análise de dados ao longo de toda a jornada de expositores e visitantes. A plataforma é um Smart Data Mobile de inteligência de dados que transforma informações brutas em insights acionáveis, conectando coleta, análise e visualização para apoiar decisões estratégicas em tempo real.

Ricardo D’Aguani, executivo com atuação em transformação digital e inovação aplicada a negócios e CEO da Station Zero Lab, afirma que eventos passaram a ocupar um papel estratégico na tomada de decisão empresarial. “Quando você cruza dados de comportamento, interesse e interação, o evento deixa de ser um ponto isolado no calendário e passa a alimentar decisões comerciais, de produto e de relacionamento ao longo do ano”, declara.

Na prática, o uso de engenharia e ciência de dados combinados com IA permite transformar grandes volumes de informações dispersas em leitura acionável para empresas e organizadores.

A tecnologia cruza dados de comportamento, perfil e geolocalização dos principais setores da economia brasileira, sendo capaz de indicar temas e conteúdos mais relevantes, perfis com maior potencial de conversão e oportunidades de negócios que tendem a se estender para além dos dias do evento. “A inteligência artificial ajuda a identificar padrões que não são visíveis a olho nu e reduz decisões baseadas apenas em percepção”, afirma.

Dados como elo entre experiência e resultado

O avanço da inteligência aplicada a eventos acompanha uma tendência no ambiente corporativo. Estudos da McKinsey & Company indicam que organizações orientadas por dados apresentam desempenho superior em aquisição e retenção de clientes quando comparadas às que baseiam decisões apenas em intuição.

Levantamentos da PwC apontam que o uso de IA e analytics avançado pode gerar ganhos relevantes de produtividade em operações intensivas em informação, incluindo feiras, congressos e encontros de negócios.

Além disso, a análise contínua de dados permite ajustes quase em tempo real, tanto na programação quanto nas ativações e conteúdos das marcas. “É possível recalibrar conteúdos, formatos e experiências durante o próprio evento, com base no comportamento do público”, adverte.

Outro ponto central é a integração entre o evento e a operação comercial das empresas. Ao conectar dados captados presencialmente com plataformas de CRM, marketing e vendas, o encontro passa a fazer parte do funil de negócios. “O relacionamento não começa nem termina no evento. Ele gera insumos que alimentam a estratégia comercial por meses”, aponta.

Pesquisas do Event Marketing Institute mostram que eventos seguem entre os canais mais eficazes para geração de leads qualificados, embora a mensuração de retorno ainda seja um desafio para parte do mercado. Nesse contexto, a inteligência de dados surge como o elo entre experiência e resultado econômico.

Para o executivo, a adoção desse modelo tende a se acelerar nos próximos anos, à medida que o mercado passa a exigir mais clareza sobre o retorno dos investimentos. Na avaliação dele, a inteligência artificial não substitui a experiência humana, mas amplia a capacidade das empresas de entender o público e transformar interação em valor para o negócio.

Sobre Ricardo D’Aguani

Ricardo D’Aguani é executivo com mais de 20 anos de experiência em tecnologia, inovação e transformação digital, com atuação em projetos de escala global nos setores de varejo, telecomunicações, seguros e serviços. Ao longo da carreira, ocupou posições de liderança executiva conduzindo iniciativas em dados, inteligência artificial, produtos digitais e arquitetura corporativa, com impacto direto em crescimento de receita, eficiência operacional e experiência do cliente.

CEO da Station Zero Lab, consultoria especializada em inovação e design de experiências orientadas por dados, é engenheiro de Controle e Automação, com MBA em Liderança, Inovação e Gestão 4.0 e especialização em Big Data e Marketing Intelligence. D’Aguani construiu sua trajetória em empresas como Telefónica/Vivo, Zurich Santander, IBM e CEVA Logistics, atua como colunista de tecnologia e inovação e acompanha de perto os principais ecossistemas globais do setor.

Fontes de pesquisas

McKinsey & Company
https://www.mckinsey.com/capabilities/quantumblack/our-insights

PwC (PricewaterhouseCoopers)
https://www.pwc.com/gx/en/issues/data-and-analytics.html

Event Marketing Institute
https://www.eventmarketing.com

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