A indústria marítima, responsável por cerca de 90% do comércio global, enfrenta hoje um dos períodos mais desafiadores de sua história recente. Pressões ambientais, regulamentações cada vez mais rigorosas e a necessidade de manter eficiência operacional colocam armadores, operadores e gestores técnicos diante de um equilíbrio delicado entre sustentabilidade, viabilidade econômica e segurança das operações.
Entre os principais desafios ambientais do setor estão a redução das emissões atmosféricas, o controle da bioincrustação nos cascos dos navios (hull fouling), a eficiência energética das embarcações e a gestão adequada de resíduos e efluentes gerados a bordo. Esses fatores impactam diretamente não apenas o meio ambiente, mas também o desempenho dos navios, o consumo de combustível e os custos operacionais.
Um dos temas mais sensíveis no debate atual é o uso dos sistemas de limpeza de gases de escape, conhecidos como EGCS (Exhaust Gas Cleaning Systems), amplamente adotados para atender aos limites de enxofre impostos pela Organização Marítima Internacional (IMO). Embora eficazes na redução das emissões atmosféricas, especialmente em sistemas de circuito aberto, os EGCS passaram a ser questionados pelo impacto ambiental da água de lavagem descarregada no mar, o que levou diversos portos e jurisdições a impor restrições ou proibições ao seu uso.
É nesse contexto que se destacam contribuições técnicas como as desenvolvidas por Luciano Ramos, profissional com sólida experiência em operações de navios, eficiência de viagens e gestão técnica no setor marítimo. Autor de artigos técnicos sobre eficiência de navios, bioincrustação, emissões e regulamentação ambiental marítima, Ramos publicou análises relevantes, incluindo a edição MYEBOOK – FOCUS – December/January 2024, na qual aborda soluções práticas para desafios ambientais contemporâneos da navegação.
Segundo Luciano Ramos, um dos problemas mais críticos da indústria moderna é a gestão da água de lavagem dos sistemas EGCS. A solução tradicional do descarte direto no mar tornou-se ambientalmente controversa e operacionalmente limitante. Diante disso, ele desenvolveu uma proposta inovadora baseada na reengenharia do sistema de tubulações do navio, permitindo que a água de lavagem fosse redirecionada para um manifold específico no convés, viabilizando o descarte seguro em instalações portuárias. A abordagem reduz significativamente o impacto ambiental, atende a regulações cada vez mais restritivas e elimina custos elevados associados a adaptações complexas de engenharia.
O método foi reconhecido por comandantes, superintendentes e gestores técnicos como uma alternativa prática, economicamente viável e operacionalmente eficiente, especialmente para frotas que navegam em áreas com proibições ou limitações crescentes ao uso de EGCS de circuito aberto. A solução evidencia a capacidade de gerar iniciativas originais e aplicáveis em escala, contribuindo diretamente para a transição ambiental e regulatória da indústria marítima global.
Atualmente, Luciano atua no setor de logística marítima internacional, com atuação destacada em operações de frete, eficiência operacional e gestão de viagens em uma multinacional do setor de energia, com forte presença global, especializada em geração, comercialização e trading de energia e combustíveis, atuando em cadeias complexas de suprimento internacionais. Nessa função estratégica, é responsável pela gestão comercial e técnica de uma frota global de navios graneleiros de grande porte, incluindo embarcações dos tipos Capesize, Panamax e Supramax. Sua atuação abrange a condução completa de cada viagem, ou seja, do carregamento à descarga com foco em otimização de desempenho, redução de custos operacionais e pleno cumprimento das obrigações contratuais.
A combinação entre experiência prática em voyage management, domínio de operações de dry bulk e profundo conhecimento técnico-regulatório permite que Ramos conecte os desafios ambientais às realidades operacionais do transporte marítimo. Em um cenário de crescente pressão por descarbonização e conformidade ambiental, sua atuação reforça a importância de soluções pragmáticas, tecnicamente sólidas e economicamente sustentáveis para o futuro da navegação comercial.
