Fim de ano pode aumentar as vendas, mas será suficiente para tirar empresas do aperto financeiro?
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Com 9,2 milhões de empresas
inadimplentes e retração no varejo, Black Friday e Natal colocam à prova a
capacidade dos negócios de transformar faturamento em recuperação financeira

O
comércio brasileiro se aproxima das principais datas de vendas do ano diante de
uma contradição. Enquanto Black Friday e Natal representam oportunidades para
elevar o faturamento, milhões de empresas enfrentam dificuldades para manter as
contas em dia. Para empresários que chegam ao último trimestre com o caixa
pressionado, a questão não é apenas quanto conseguirão vender, mas quanto desse
dinheiro permanecerá disponível depois de pagar as despesas.

O Índice
Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) apontou queda real de 3,9% nas vendas de
setembro de 2026 em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já o levantamento da
Serasa Experian, referente a julho e divulgado em setembro, registrou 9,2
milhões de empresas inadimplentes, com R$ 238,6 bilhões em dívidas negativadas.
Desse total, 8,7 milhões eram micro e pequenas empresas.

Para
Marcos Koenigkan, empresário multissetoria e presidente do Think Tank Mercado
& Opinião, o aumento das vendas precisa ser analisado além do faturamento.
“Uma empresa pode bater recorde de vendas em dezembro e começar janeiro sem
dinheiro para pagar suas contas. Quando o crescimento da receita serve apenas
para cobrir dívidas antigas, o empresário não está necessariamente recuperando
o negócio. Está ganhando tempo”, afirma.

A
pressão começa antes mesmo das campanhas. Para atender à demanda, comerciantes
precisam antecipar compras de mercadorias, reforçar estoques e investir em
divulgação. Descontos agressivos e vendas parceladas podem ampliar o movimento
sem produzir melhora proporcional no caixa, especialmente quando as despesas
vencem antes do recebimento das vendas.

Do lado
do consumidor, os sinais também exigem atenção. Segundo a Confederação Nacional
do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a proporção de famílias com
contas em atraso caiu de 29,9% em agosto para 29,6% em setembro, mas o tempo
médio de atraso chegou a 65,3 dias, o maior desde novembro de 2024. Embora os
números indiquem uma melhora pontual na inadimplência, parte das famílias
continua enfrentando restrições financeiras que podem influenciar as compras de
fim de ano.

A
antecipação das promoções acrescenta outra variável. Com campanhas distribuídas
entre outubro e dezembro, parte das compras pode apenas mudar de data, sem
representar aumento efetivo do consumo no trimestre.

Para
empresas com margens apertadas, descontos maiores podem significar faturar mais
sem obter o retorno esperado. “O fim de ano não pode ser tratado como uma
operação de resgate financeiro. Se a empresa depende de dois meses de vendas
para sobreviver aos outros dez, existe um problema que o Natal não resolve. O
verdadeiro indicador de recuperação não é o volume que passa pelo caixa, mas a
capacidade de começar o próximo ano sem repetir o mesmo endividamento”, analisa
Koenigkan.

Com a
chegada de 2027, o resultado das campanhas comerciais será medido não apenas
pelo movimento nas lojas, mas também pela capacidade das empresas de reduzir
dívidas, recompor o capital de giro e manter suas operações. Para parte do
comércio, o desafio será transformar o período de maior expectativa de
faturamento em uma recuperação financeira que continue depois das festas.

Informações para a Imprensa:

Lucky Assessoria de Comunicação

Karol Romagnoli

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