Grandes campeonatos movimentam torcedores, dinheiro e também criminosos virtuais; especialistas alertam para armadilhas envolvendo promoções falsas, ingressos e plataformas de apostas
A emoção de um grande evento esportivo não mobiliza apenas torcedores. Campeonatos nacionais e internacionais, finais decisivas e torneios de grande audiência também costumam abrir espaço para um crescimento expressivo de crimes digitais. Promoções falsas, golpes de apostas, venda inexistente de ingressos, links fraudulentos e disseminação de fake news estão entre as práticas mais comuns aproveitando o aumento do engajamento online.
Segundo especialistas em direito criminal e crimes econômicos, o cenário se intensifica porque eventos esportivos geram senso de urgência, emoção e comportamento impulsivo, combinação frequentemente explorada por criminosos digitais.
“O criminoso costuma agir onde existe grande movimentação de pessoas e dinheiro. Durante eventos esportivos, aumenta a circulação de promoções, bolões, apostas, venda de ingressos e conteúdo compartilhado em massa, criando ambiente propício para fraudes”, explica o advogado criminalista Marcos Sá.
Confira os principais golpes e como se proteger:
1. Golpes de apostas: promessas de lucro fácil exigem atenção
Perfis falsos, grupos fechados em aplicativos de mensagens e supostos “especialistas” em apostas esportivas costumam prometer ganhos garantidos, métodos infalíveis ou resultados manipulados.
“Quando existe promessa de lucro certo ou vantagem desproporcional, o alerta deve ser imediato. Em muitos casos, há estelionato, manipulação emocional e até esquemas voltados à captação irregular de dinheiro”, afirma Marcos Sá.
Segundo especialistas, o ideal é desconfiar de pressão para pagamentos rápidos, promessas milagrosas e pedidos de transferências fora de plataformas oficiais.
2. Fake news podem causar prejuízos e manipular comportamento
Informações falsas sobre jogadores, resultados, supostos escândalos, mudanças em escalações ou até notícias fabricadas envolvendo apostas circulam rapidamente durante competições.
“A disseminação de fake news não é apenas um problema de desinformação. Dependendo do contexto, ela pode gerar prejuízos financeiros, danos reputacionais e até configurar crimes previstos em lei”, explica o advogado criminalista Fábio Aby Azar.
Ele ressalta que conteúdos alarmistas, prints sem fonte, áudios anônimos e mensagens compartilhadas com urgência devem ser verificados antes de serem repassados.
3. Fraudes online crescem com promoções falsas e links suspeitos
Sorteios inexistentes, brindes falsos, promoções de patrocinadores e supostos descontos exclusivos aparecem com frequência durante grandes campeonatos.
“O senso de urgência é uma ferramenta clássica do golpista. Mensagens como ‘última chance’, ‘promoção exclusiva’ ou ‘garanta agora’ tentam fazer a vítima agir antes de refletir”, diz Fábio Aby Azar.
A recomendação é confirmar promoções diretamente em canais oficiais e desconfiar de páginas recém-criadas, erros de ortografia ou solicitações incomuns de dados pessoais.
4. Phishing com ingressos e promoções é um dos golpes mais recorrentes
Entre as fraudes mais frequentes estão links enviados por mensagem ou redes sociais prometendo compra de ingressos, áreas VIP ou acesso antecipado a experiências exclusivas.
“Muitos golpes funcionam por phishing, que é uma tentativa de capturar dados bancários, senhas ou informações pessoais por meio de páginas falsas muito parecidas com sites verdadeiros”, explica Marcos Sá.
Segundo ele, criminosos costumam usar nomes semelhantes aos de marcas conhecidas para induzir o erro.
5. Segurança digital também faz parte da experiência do torcedor
Especialistas recomendam evitar clicar em links recebidos por desconhecidos, ativar autenticação em dois fatores, utilizar senhas fortes e priorizar compras em plataformas reconhecidas.
“A tecnologia oferece conveniência, mas exige comportamento preventivo. O cuidado digital precisa acompanhar a velocidade da informação, principalmente em períodos de grande exposição online”, afirma Fábio Aby Azar.
Se antes a preocupação do torcedor estava apenas no placar, hoje ela também precisa incluir a proteção dos próprios dados. Em tempos de hiperconectividade, especialistas alertam que a emoção do jogo não pode se transformar em porta de entrada para golpes e prejuízos financeiros.