Entenda a metáfora por trás do final da segunda temporada de Russian Doll

Desfecho da segunda temporada trouxe algumas mensagens que podem ter passado despercebidas pelos fãs

Russian Doll, série norte-americana do Netflix, já se consagrou como um dos maiores sucessos da plataforma de streaming e vem deixando muita gente com uma pulga atrás da orelha. Sua segunda temporada, que teve estreia marcada no dia 20 de abril no Brasil, dá continuidade às desventuras de Nadia (Natasha Lyonne) e Alan (Charlie Barnett), que após escaparem do seu loop temporal, precisarão fazer uma série de viagens no tempo para reviver a história na pele de seus antepassados.

Quem já terminou a segunda temporada provavelmente pode ter ficado um pouco confuso com seu desfecho, que mesmo trazendo uma conclusão aceitável para aquele arco, acaba deixando tudo com um ar meio vago. Tudo apresentado ao longo dos novos episódios, gira em torno da aceitação pessoal, superação de culpa, traumas do passado e como todas essas questões acabam interferindo em períodos temporais diferentes.

Todos sabemos que interferir com o passado traz graves consequências para o futuro e é exatamente isso que vemos aqui, com Nadia causando uma grande quebra no espaço-tempo ao trazer seu eu da década de 1980 para o presente, buscando evitar que um evento traumático acontecesse. Ao voltar para a atualidade, Nadia acaba descobrindo que Ruthie (Elizabeth Ashley), a mulher que a criou e sua figura materna, faleceu durante suas viagens temporais. Diante disso, temos uma singela metáfora indicando que, quando estamos muito preocupados em consertar os erros do passado, esquecemos de viver o presente.

Toda a jornada de Nadia e Alan nesta segunda temporada é um reflexo dessa mensagem. Nadia passa uma boa parte dos episódios buscando algumas moedas de ouro que foram roubadas (se ela soubesse o que é CDB, provavelmente não estaria passando esse sufoco) só para depois descobrir que foi exatamente essa busca que desencadeou todos os acontecimentos vividos por ela no futuro. Então, sua tentativa insana de mudar o passado resultou no que ela tanto queria evitar no futuro.

Nossa vida é feita de vitórias e derrotas. É esse conjunto de coisas que nos torna quem somos e define a experiência de se estar vivo. A série mostra que não devemos viver com medo constante de falhar, caso contrário nunca sairemos do lugar. Os protagonistas passaram a série inteira em busca de Coney Island, que em tese tornaria suas vidas perfeitas, mas ao final entendem que esse não é o sentido de se estar vivo. O que importa sempre é a jornada e não a conclusão dela.

Amanda Mathias
Atua como assessora de imprensa, redatora e Link Builder na Conversion. Escreve sobre cidades, cotidiano, tecnologia, e-commerce e cultura.