A dificuldade para encontrar profissionais preparados tem levado empresas de diversos setores a intensificarem os investimentos em treinamento e desenvolvimento de equipes. Em um cenário marcado pela transformação digital, pelo avanço acelerado da tecnologia e pela constante evolução das competências exigidas, capacitar colaboradores deixou de ser uma iniciativa complementar para se tornar uma estratégia essencial de crescimento e competitividade.
Levantamento do ManpowerGroup revela que o Brasil enfrenta um dos maiores desafios dos últimos anos na contratação de talentos. Cerca de 80% das empresas brasileiras relatam dificuldades para preencher vagas especializadas, índice superior à média global.
O cenário é especialmente crítico em áreas ligadas à tecnologia, análise de dados, inteligência artificial e automação. Além da escassez de profissionais com formação adequada, muitas organizações enfrentam o desafio de acompanhar a velocidade com que novas habilidades passam a ser exigidas pelo mercado.
Diante dessa realidade, cresce o número de empresas que optam por desenvolver talentos internamente, investindo em programas de treinamento, atualização de competências e aprendizado contínuo.
Segundo levantamento da Hashtag Treinamentos, 48,7% dos profissionais empregados buscam cursos para crescer na carreira e se destacar no emprego atual; já entre as empresas, reskilling e upskilling — que integram o conceito de formação contínua — são a principal estratégia para enfrentar a escassez de mão de obra qualificada, citada por 44% dos empregadores brasileiros, segundo a Pesquisa de Escassez de Talentos 2026 do ManpowerGroup.
Para Diego Amorim, diretor executivo e especialista em infoprodutos, a mudança de postura das empresas reflete uma necessidade cada vez mais urgente. “Durante muito tempo, as organizações concentraram seus esforços na busca por profissionais prontos”.
“Hoje, elas entendem que desenvolver talentos internamente é uma das formas mais eficazes de garantir competitividade, reter conhecimento e acompanhar a velocidade das transformações que impactam os negócios”, afirma.
A demanda por capacitação acompanha diretamente a expansão de novas tecnologias no ambiente corporativo. Ferramentas de inteligência artificial, automação, análise de dados e produtividade digital passaram a integrar a rotina de empresas de todos os portes, exigindo colaboradores cada vez mais preparados para utilizar esses recursos de forma estratégica.
Dados da Hashtag mostram que 48,7% dos alunos empregados em cursos de tecnologia e produtividade buscam capacitação para crescer e se destacar no emprego atual, enquanto 21% recorrem aos cursos para mudar de área ou conseguir uma nova colocação.
Segundo Diego, a necessidade de atualização já não está restrita aos profissionais da área de tecnologia. “Independentemente da profissão, existe uma demanda crescente por aprendizado contínuo. Ferramentas digitais, análise de dados e inteligência artificial estão transformando a forma como as pessoas trabalham.
Quem investe em desenvolvimento constante amplia suas oportunidades, ganha produtividade e se torna mais preparado para os desafios do futuro”, destaca. A tendência é que os investimentos em treinamento e requalificação continuem crescendo nos próximos anos.
De acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 14 milhões de trabalhadores brasileiros precisarão passar por processos de qualificação ou requalificação até 2027 para atender às novas demandas da economia e às transformações tecnológicas em curso.
Nesse contexto, empresas e profissionais parecem convergir para a mesma conclusão: aprender continuamente deixou de ser apenas um diferencial competitivo e passou a ser um requisito indispensável para manter a relevância e a capacidade de adaptação em um mercado em constante transformação.
Sobre
Diego Amorim dos Santos é diretor executivo e sócio da Hashtag Treinamentos, especialista em crescimento de negócios digitais, educação online e escalabilidade operacional. Engenheiro de Produção formado pela PUC-Rio, participou da expansão da empresa de uma operação com cinco colaboradores e faturamento de R$ 3 milhões para uma organização com 119 colaboradores, mais de 192 mil alunos atendidos, 2 milhões de inscritos no YouTube e faturamento de R$ 75,5 milhões em 2025. Com experiência em liderança, gestão de equipes, processos, finanças e desenvolvimento de negócios, é fonte para temas relacionados à educação digital, inteligência artificial, mercado.
Empresas deixam de buscar talentos prontos e passam a formar seus próprios profissionais
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