Ed Lopes, roteirista premiado, escreve, atua e dirige filme sobre transfobia ” Benção Pai”

Ed Lopes, roteirista premiado, escreve, atua e dirige filme sobre transfobia ” Benção Pai”

Redação RBN
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Crédito fotos: Allan Bezerra

Ed Lopes, ator, produtor, diretor e roteirista premiado, atualmente está no elenco das séries “Auto da Compadecida 2” – que estreou na Rede Globo, dia 05 de janeiro –, em “Pablo e Luisão” – no Globoplay – e no cinema, acaba de escrever, dirigir e atuar no curta-metragem “Benção, Pai”, que fará a sua pré-estreia no Estação Net em Botafogo no dia 21 de janeiro. O curta-metragem fala de temas polêmico como: transfobia, abuso sexual, assédio moral, violência psicológica contra a mulher, religião, incoerência moral e hipocrisia.

“O filme acompanha a história de Antônio (Ed Lopes), um evangélico homossexual casado com Sandra (Ayala Rossana), uma dona de casa igualmente evangélica, submetida ao silêncio e ao controle emocional imposto pelo marido. Enquanto Antônio leva garotos de programa para dentro de casa durante a ausência de Sandra, que sai para os cultos religiosos, ela se vê presa a uma realidade em que não possui voz nem espaço para confrontar o abuso psicológico que sofre.
A chegada inesperada de Tássia (Mar Moraes), uma mulher transexual, provoca uma ruptura nesse cenário. Ao se aproximar de Tássia, Sandra encontra acolhimento, escuta e a esperança de romper o ciclo de opressão em que vive. No entanto, a presença de Tássia passa a ameaçar Antônio, que projeta nela seu preconceito e o medo de ter sua hipocrisia exposta. Carregando marcas profundas do passado, Tássia detém revelações capazes de abalar definitivamente o casamento de Antônio e Sandra, trazendo à tona temas como transfobia, hipocrisia religiosa e abuso psicológico, ” diz Ed.

O artista também revela que foi inspirado em suas próprias vivências e experiências para escrever a trama.

“Para escrever a personagem Tássia, eu me inspirei em “Maria Evalda”, uma amiga transexual que me deu abrigo depois que assumi para minha mãe a minha sexualidade. Eu fui morar com um namorado e minha mãe ficou irritada com isso e me disse para eu não voltar mais para casa dela. Após o término do namoro a Evalda me abrigou em sua casa e lá eu pude conviver com diversas mulheres trans que frequentavam a sua casa. Ouvi muitas histórias tristes, de luta, de preconceito, de aceitação, de agressão e de mortes”, conta.

Ed ainda relembra os episódios de violência sofridos na infância e ao falar sobre o tema, busca contribuir para alertar a sociedade para que outras pessoas também não sejam vítimas de violências físicas, sexuais e psicológicas.

” A sociedade muitas vezes não gosta de debater o tema, mas não falar sobre, é deixar que perpetue as barbaridades que vemos na mídia diariamente sobre esses abusos.
Para escrever o personagem Antônio, eu me inspirei em um namorado evangélico que hoje é pastor em Minas Gerais. Ele criticava os homossexuais, apesar dele se relacionar sexualmente com outro homem, mas achava que aquilo que ele estava fazendo era um erro. Eu fui criado dentro da igreja evangélica e a minha iniciação sexual foi lá dentro. Fui abusado aos 11 anos por um evangélico e meu primeiro namorado aos 14 com outro membro da igreja. Muitos gays se negavam a se aceitar e procuravam a igreja para poder encontrar uma possível salvação.
Para escrever a personagem Sandra, eu me inspirei na minha tia que era casada com um homem evangélico e que lhe traía com outros homens. Ela se calava e se trancava dentro dela criando uma casca para poder se esconder dessa vergonha”, detalha o autor e realizador da obra.

Ed Lopes ficou conhecido na novela “Malhação – Viva a Diferença” onde interpretou o atrapalhado Valdemar ao lado do ator Lúcio Mauro Filho. Seus últimos trabalhos na Globo foram nas novelas Renascer e Salve-se quem puder, e nas séries “Cine Holliúdi” e “Pablo e Luisão”. Estreou em 2026 na rede Globo o “Auto da Compadecida 2”, interpretando um trabalhador rural.
Como roteirista, Ed Lopes é autor do musical “Mirona – A Princesa Chorona”, que recebeu 11 indicações no Festival de Teatro da Cidade do Rio de Janeiro, e foi vencedor de quatro prêmios: melhor atriz, melhor espetáculo infantil e melhor produção. Escreveu e dirigiu o curta-metragem premiado “A Goiabeira”, é vencedor do Kikito de Melhor Roteiro no 34º Festival de Cinema de Gramado, Melhor Roteiro no Projeto Sal Grosso, Melhor Filme na Mostra “Curta À Noite” e Melhor Atriz no Festival de Cinema de Juiz de Fora, além de ter sido indicado a diversos festivais, incluindo o Festival de Brasília.
Ao longo da carreira escreveu e produziu diversos filmes como o longa-metragem independente “Bom Dia, Rio de Janeiro”, estrelado por Déo Garcez e Léa Garcia e mais de 20 curtas, dentre eles “Fora de Série” com a atriz Tereza Seiblitz, e “Soropositivo”, que recebeu o selo do Ministério da Saúde para ser usado como material educativo.
É criador do canal de humor “Kalango Nu” que ultrapassou 5 milhões de visualizações no YouTube, Instagram e TikTok, e da premiada websérie “Homofóbico” – vencedora do prêmio de melhor roteiro no Buenos Aires Webfest indicada ao Seoul Webfest, Kalakari Webfest, Rio Webfest, vencedora de Melhor Roteiro e Melhor Ator, além de “As Tias” (1ª e 2ª temporadas), “Fome” e “Pink Rabbit”.

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