Responsável por cerca de 70% do poder de foco do olho, a córnea exerce papel central na qualidade da visão. Doenças que afetam essa estrutura estão entre as principais causas de perda visual progressiva em diferentes faixas etárias.
Entre as condições mais frequentes está o ceratocone, doença caracterizada pelo afinamento e pela deformação progressiva da córnea. Estudos indicam que sua prevalência pode chegar a 1 a cada 375 pessoas, com início geralmente na adolescência e progressão até a vida adulta. Sem acompanhamento, o ceratocone pode causar visão distorcida, aumento do grau e intolerância aos óculos convencionais.
De acordo com a oftalmologista Karina Tinoco, o diagnóstico precoce permite intervenções que estabilizam a doença e evitam a necessidade de procedimentos mais invasivos no futuro.
Além do ceratocone, outras doenças corneanas incluem distrofias, cicatrizes pós-infecção, alterações decorrentes do uso inadequado de lentes de contato e complicações relacionadas à cirurgia refrativa sem indicação adequada. Dados clínicos mostram que o uso incorreto de lentes de contato está entre as principais causas de ceratites infecciosas, que podem evoluir rapidamente e comprometer a visão.
Ainda segundo a médica, outro ponto de atenção é o aumento da miopia, considerado um problema de saúde pública mundial. A Organização Mundial da Saúde estima que até 2050 cerca de 50% da população será míope, o que eleva o risco de alterações corneanas e outras complicações oculares. Estratégias de controle da progressão, como ortoceratologia e lentes especiais, têm mostrado resultados positivos quando indicadas de forma criteriosa.
“O tratamento das doenças da córnea deve ser individualizado. Nem todo paciente é candidato à cirurgia refrativa, e respeitar os limites anatômicos da córnea é essencial para a segurança visual”, ressalta a especialista.
Atualmente, avanços tecnológicos permitem uma abordagem mais precisa dessas doenças, com exames que avaliam a estrutura corneana em detalhes e tratamentos personalizados, incluindo lentes de contato especiais, controle da miopia e procedimentos cirúrgicos quando bem indicados.
A recomendação é que pacientes com histórico familiar de doenças oculares, crianças e adolescentes em fase de crescimento visual, além de usuários de lentes de contato, realizem avaliações oftalmológicas periódicas. A prevenção e o diagnóstico precoce seguem como as principais estratégias para preservar a saúde da córnea e garantir qualidade visual ao longo da vida.
