O ser humano descobre o mundo através do movimento. Desde criança, a movimentação é a forma como experienciamos, exploramos, convivemos, criamos e compartilhamos o mundo. Por isso, é fundamental que as escolas compreendam a necessidade de estimular o desenvolvimento motor das crianças e englobem esse estímulo em suas atividades pedagógicas.
Refinar as habilidades de movimentação durante as atividades escolares proporciona um melhor crescimento para a criança. Tal desenvolvimento está interligado com o aprimoramento social, emocional e cognitivo. Cristianna Rodrigues, supervisora da Educação Infantil do Colégio Anchieta, explica que “o desenvolvimento motor é uma habilidade a ser trabalhada no ser humano desde o seu nascimento. Por isso deve ser um processo contínuo e essencial na formação da criança”.
A educadora avalia que os aparelhos eletrônicos, como videogame e celular, estão afastando as crianças de atividades que estimulavam práticas importantes, como correr, pular e saltar. “As crianças já não possuem fora da escola ambientes que possibilitem maior mobilidade corporal. Consequentemente, cabe à escola se tornar um espaço propício para essas conquistas”, pontua.
Assim, no Colégio São Paulo e Anchieta, a disciplina de Educação Física é um espaço que entende o estudante além de práticas corporais que apenas propõe executar o movimento sem intencionalidade. A visão cultural permite unir essas práticas com valores, onde além de saber fazer, existe a reflexão saber sobre o fazer, objetivando a formação crítica e autônoma desse. Para isso se utilizam brincadeiras, jogos, danças, ginásticas, esportes e lutas, compreendendo-as no contexto cultural e atuando na formação cidadã da criança.
E não é apenas na educação infantil que a motricidade deve ser pensada. A disciplina de Educação Física, por exemplo, trabalha desde os anos iniciais em conjunto com outras disciplinas a partir de projetos interdisciplinares que estimulam o desenvolvimento psicomotor do aluno. “No Ensino Fundamental, as atividades escolares podem ajudar na conquista de habilidades motoras mais complexas. O professor deve inserir no planejamento atividades com dificuldades variadas que ativem e estimulem áreas motoras e cognitivas correspondentes a faixa etária que leciona”, esclarece Marta Gordiano, orientadora do Ensino Fundamental I do Colégio São Paulo.
O papel do esporte e da Educação Física
O Esporte é, além de um importante conteúdo da Educação Física, um movimento cultural universal. Na Escola, a prática de esporte é importante, favorecendo o desenvolvimento integral das crianças, estimulando os aspectos motores, sociais, afetivos e emocionais. Esse tem o potencial de ensinar às crianças o respeito pelas diferenças, reconhecimento de limites, soluções de conflitos, respeito às regras, cooperação, empatia, disciplina e outros tantos aprendizados.
Nos anos finais do Ensino Fundamental, além da experimentação de diversas modalidades esportivas, as duas escolas buscam aprofundar a abordagem sobre o esporte, percebendo-o como um fenômeno na sociedade moderna, falando sobre os personagens, a mídia, a evolução tecnológica, a influência no desenvolvimento das pessoas, além dos benefícios para a saúde e opção de lazer.
A prática da Educação Física também é uma aliada no estímulo do autoconhecimento, através de experimentações sensoriais e motoras, superando a dicotomia de corpo e mente, entendendo o ser humano como um ser único e complexo. Dentro da Base Nacional Comum Curricular, como área de conhecimento, a disciplina se enquadra na área de linguagens. Porém, ela tem potencial de ser inserida em projetos interdisciplinares com outras áreas, enriquecendo os conteúdos, o conhecimento de outras culturas e formas de pensar e de se relacionar.
Esta é a visão e abordagem da Educação Física e do Esporte no Colégio São Paulo e Anchieta, que contextualiza o indivíduo com a sua vida cotidiana, abordando a cultura corporal na sociedade e no local. “Acredito que buscar novos caminhos para o aprendizado, estabelecendo elos entre os conteúdos das diferentes áreas de conhecimento, ampliando saberes sobre a cultura corporal do movimento, é um viés que promove aprendizagens significantes ao estudante”, finaliza Marta.