Especialista defende que a tecnologia deve estar aliada a metodologias inovadoras para desenvolver pensamento crítico, autonomia e protagonismo dos estudantes.

Consolidada há mais de um ano nas escolas brasileiras, a Lei nº 15.100, que restringe o uso de celulares para fins não pedagógicos, já apresenta impactos percebidos por gestores educacionais. Pesquisa nacional divulgada em junho de 2026 mostra que 92% das instituições já implementaram as novas regras. Entre os entrevistados, 95% observaram melhora na concentração dos estudantes e 97% relataram maior participação dos alunos nas atividades em sala de aula. O cenário reforça que o debate sobre tecnologia na educação evoluiu: mais do que discutir o acesso aos dispositivos, o desafio agora é utilizá-los de forma estratégica para potencializar a aprendizagem, estimular o pensamento crítico e formar estudantes protagonistas.

A realidade digital transformou a forma como crianças e adolescentes aprendem, cercados por informações disponíveis em tempo real, eles chegam à escola conectados, colaborativos e acostumados a interações rápidas. Nesse contexto, o papel das instituições de ensino também precisa evoluir, ampliando o foco para o desenvolvimento de competências digitais, autonomia e responsabilidade no uso das tecnologias. Para o coordenador pedagógico do Colégio Marista Padre Eustáquio, Felipe Carvalho, o desafio não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada no processo educativo. “Os estudantes têm acesso a uma enorme quantidade de informações, mas informação, por si só, não significa conhecimento. Precisamos ensinar os jovens a desenvolver um olhar crítico sobre os conteúdos que consomem, fazer uso consciente das redes sociais e compreender como utilizar a inteligência artificial de maneira ética e responsável.”

Mais do que incorporar recursos tecnológicos às salas de aula, as escolas são chamadas a repensar suas metodologias. Isso significa reconhecer que os estudantes aprendem de formas diferentes, valorizando experiências que estimulem investigação, resolução de problemas, colaboração, criatividade e participação ativa no processo de construção do conhecimento. Nesse cenário, o professor continua ocupando um papel essencial. Se antes era visto principalmente como transmissor de conteúdos, hoje atua como mediador da aprendizagem, ajudando os estudantes a interpretar informações, estabelecer conexões entre diferentes conhecimentos e atribuir significado ao que aprendem. “A tecnologia amplia possibilidades, mas ela não substitui uma proposta pedagógica consistente. O estudante precisa estar no centro do processo de aprendizagem, enquanto o professor atua como mediador desse percurso”, destaca o coordenador pedagógico

A inteligência artificial, também, vem ocupando espaço crescente no ambiente escolar. Além de apoiar professores no planejamento pedagógico e na análise do desempenho dos alunos, a ferramenta pode contribuir para personalizar a aprendizagem. No entanto, seu uso exige critérios claros para que funcione como apoio ao desenvolvimento do estudante, e não como substituta do pensamento crítico ou da construção do conhecimento.

Para Carvalho, preparar os estudantes para o século XXI significa muito mais do que ensinar conteúdos curriculares. É desenvolver competências como curiosidade, autonomia, capacidade de aprender continuamente, pensamento crítico, colaboração, empatia, resiliência e responsabilidade social. “A tecnologia muda e continuará evoluindo, mas a missão da educação permanece a mesma: formar pessoas capazes de pensar, aprender ao longo da vida e utilizar o conhecimento para transformar a sociedade”, finaliza.

(Fotos: Divulgação)

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