Dengue antes do sintoma: com até 1,8 milhão de casos previstos, dados do esgoto podem antecipar surtos e orientar o combate à doença Leia mais em: https://gazeta24h.com/collab/ (Publique sua pauta – Gazeta24h)

Dengue antes do sintoma: com até 1,8 milhão de casos previstos, dados do esgoto podem antecipar surtos e orientar o combate à doença Leia mais em: https://gazeta24h.com/collab/ (Publique sua pauta – Gazeta24h)

Railson Lima
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Tecnologia de PCR digital, já adotada mundialmente, permite
identificar a circulação do vírus antes do avanço de casos e apoiar decisões
rápidas do poder público

  

 

O Brasil
poderá encerrar 2026 com até 1,8 milhão de casos prováveis de dengue, segundo
estimativa do
projeto internacional IMDC (InfoDengue-Mosqlimate
Dengue Challenge), em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a FGV
(Fundação Getúlio Vargas). Entre 65% e 70% das infecções devem se concentrar na
Região Sudeste, o que, caso se confirme, representará o segundo maior número de
registros no país desde 2010.

 

Nesse contexto, o monitoramento de
águas residuais – ou esgoto – surge como uma ferramenta complementar, capaz de
ampliar a capacidade de resposta do sistema de saúde. Por meio da tecnologia de
PCR digital, é possível identificar a presença do vírus da dengue no esgoto
antes do aumento de casos sintomáticos, funcionando como um sistema de alerta
precoce para autoridades públicas.

 

Segundo Arthur Silva, Gerente
Regional LATAM de Marketing para PCR digital da QIAGEN
, multinacional que
oferece soluções avançadas de testagem no Brasil, a análise das redes de esgoto
pode contribuir para decisões mais rápidas e direcionadas no controle da
doença.

 

“Enquanto os dados clínicos,
provenientes de pacientes com dengue, mostram o problema quando ele já está
instalado, o monitoramento de águas residuais permite enxergar o avanço do
vírus de forma antecipada.
 Esse
monitoramento fornece aos gestores públicos indicadores antecipados que
auxiliam na definição de medidas conforme os protocolos locais.”, explica.

 

Vigilância
epidemiológica ampliada

 

Considerada uma tecnologia de alta
sensibilidade, capaz de detectar fragmentos do material genético do vírus da
dengue (RNA) presentes nos resíduos eliminados por pessoas infectadas,
inclusive assintomáticas, a PCR digital é uma grande aliada das iniciativas de
vigilância epidemiológica. A partir da coleta de amostras de esgoto por equipes
especializadas, os dados laboratoriais permitem mapear a circulação viral em
comunidades e identificar tendências de crescimento antes da explosão de casos.

 

A PCR digital constitui um instrumento de alta
sensibilidade para a vigilância epidemiológica, capaz de detectar quantidades
muito pequenas de material genético de agentes virais ou bacterianos presentes
no esgoto. A geração desses dados permite acompanhar a circulação de patógenos
em populações específicas e fornecer subsídios técnicos para o planejamento e a
tomada de decisão em saúde pública antes da consolidação de surtos”, afirma Silva.

 

Além de antecipar a detecção do
vírus, a tecnologia também pode contribuir para o acompanhamento da evolução
epidemiológica e, em alguns casos, para a identificação de variantes em
circulação, ampliando a capacidade de planejamento das políticas públicas de
saúde.

 

Uma estratégia já
validada globalmente

 

O uso da PCR digital em águas
residuais já é adotado em países da Europa, Austrália e Estados Unidos. A
estratégia ganhou destaque durante a pandemia de COVID-19, quando se mostrou
eficaz no rastreamento do coronavírus e passou a integrar o controle
epidemiológico de diferentes doenças infecciosas.

 

Evidências
científicas recentes reforçam o potencial da vigilância ambiental como fonte
complementar de informações epidemiológicas. Um 
estudo conduzido
na Itália
, durante o maior surto de dengue já
registrado no país, demonstrou que o vírus pôde ser detectado em amostras de
esgoto por meio de PCR digital, com sensibilidade superior às metodologias
tradicionais. Os resultados indicam que a abordagem é viável em cenários reais
de transmissão e pode contribuir para orientar ações de saúde pública ainda nas
fases iniciais da circulação viral. 

 

“A experiência da pandemia
demonstrou que o monitoramento de águas residuais pode funcionar como um radar
sanitário. Em um país com dimensões e desigualdades como o Brasil, essa
abordagem pode complementar os sistemas tradicionais de vigilância e contribuir
para respostas mais rápidas e eficientes”, destaca o executivo.

 

Diante do avanço da dengue e do
impacto de fatores como mudanças climáticas, urbanização e mobilidade
populacional, a incorporação de novas ferramentas de monitoramento se torna
cada vez mais relevante.

 

“O monitoramento de águas residuais
não substitui as estratégias existentes, mas amplia a capacidade de prevenção e
controle. Trata-se de uma solução com grande alcance populacional, execução
relativamente rápida e potencial para apoiar políticas públicas de saúde de
forma contínua, e não apenas em momentos de emergência”, conclui Arthur Silva.

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