Por Ricardo D´Aguani
Minha trajetória profissional se construiu na interseção entre tecnologia, negócios e execução em escala. Ao longo de mais de duas décadas, atuei em ambientes corporativos complexos, startups em crescimento acelerado e projetos globais que exigiam não apenas inovação, mas governança, disciplina operacional e geração concreta de valor econômico. Esse percurso ajuda a explicar por que minha atuação hoje está menos associada a tendências e mais à construção de ecossistemas digitais sustentáveis, capazes de impactar receita, eficiência e experiência do cliente de forma mensurável.
A formação em engenharia de controle e automação foi determinante para essa visão. Ela me ensinou a enxergar sistemas como conjuntos integrados, nos quais decisões isoladas raramente produzem bons resultados. Ao migrar para posições de gestão e liderança, essa lógica permaneceu. Tecnologia, dados, produto e pessoas precisam operar de forma coordenada. Foi esse raciocínio que orientou minha atuação em grandes corporações globais, como IBM, Zurich Santander e Telefónica, onde liderei portfólios estratégicos, programas regionais e operações de big data em larga escala.
Na Zurich Santander, a experiência como gestor regional de PMO e novos negócios evidenciou a importância da execução disciplinada em ambientes regulados. O desafio não era apenas inovar, mas garantir que mais de cem projetos estratégicos em cinco países convergissem para metas financeiras claras. O resultado, com a superação da marca de US$ 1 bilhão em lucro antes de impostos, mostrou que inovação corporativa precisa estar diretamente conectada a indicadores de desempenho e à estratégia central do negócio.
Esse aprendizado se aprofundou na Telefónica, onde liderei times responsáveis pelo maior cluster de big data da América Latina e pela evolução de produtos digitais e de inteligência artificial. Ali, ficou evidente que dados e inteligência artificial só geram valor quando integrados ao núcleo da operação. A automação de atendimentos, com milhões de interações mensais, não foi um projeto de tecnologia, mas de eficiência operacional, redução de custos e redesenho da experiência do cliente, com impactos financeiros claramente mensurados.
A partir de 2020, minha atuação passou a se concentrar ainda mais na construção de plataformas próprias e ecossistemas digitais completos. Na SouthRock Lab, participei da criação e internalização de uma stack tecnológica de ponta a ponta para marcas globais de food service, combinando pagamentos, fidelidade, aplicativos e dados. O crescimento expressivo da base de clientes e do ticket médio reforçou uma convicção que carrego até hoje. Experiências digitais bem desenhadas não são apenas um diferencial estético, mas um motor direto de receita, relacionamento e eficiência operacional.
Essa visão levou à fundação da Station Zero Lab, onde concentro minha atuação atual. O foco da empresa é apoiar organizações em processos de transformação que unem estratégia, design, dados e tecnologia, sempre com métricas claras de impacto. O crescimento da operação e a captação de recursos para expansão internacional refletem uma demanda crescente por modelos mais maduros de inovação, menos orientados a discurso e mais a resultados concretos.
Ao analisar essa trajetória de forma estruturada, fica claro que o fio condutor não é a adoção de tecnologias específicas, mas a capacidade de traduzi-las em valor econômico e organizacional. Em diferentes setores e geografias, os projetos que geraram impacto relevante foram aqueles em que inovação esteve alinhada à governança, à cultura e à estratégia de longo prazo. É essa combinação entre engenharia de sistemas, visão de negócios e execução em escala que continua orientando minhas decisões e a forma como atuo na construção de ecossistemas digitais no Brasil e no exterior.

Sobre Ricardo D’Aguani
Ricardo D’Aguani é executivo com mais de 20 anos de experiência em tecnologia, inovação e transformação digital, com atuação em projetos de escala global nos setores de varejo, telecomunicações, seguros e serviços. Ao longo da carreira, ocupou posições de liderança executiva conduzindo iniciativas em dados, inteligência artificial, produtos digitais e arquitetura corporativa, com impacto direto em crescimento de receita, eficiência operacional e experiência do cliente.
CEO da Station Zero Lab, consultoria especializada em inovação e design de experiências orientadas por dados, é engenheiro de Controle e Automação, com MBA em Liderança, Inovação e Gestão 4.0 e especialização em Big Data e Marketing Intelligence. D’Aguani construiu sua trajetória em empresas como Telefónica/Vivo, Zurich Santander, IBM e CEVA Logistics, atua como colunista de tecnologia e inovação e acompanha de perto os principais ecossistemas globais do setor.