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Consumo consciente avança no Brasil e pressiona a moda a rever práticas, priorizando qualidade, transparência e impacto ambiental reduzido.

Comprar menos, escolher melhor e considerar o impacto de cada peça. Este é o princípio que vem orientando boa parte dos brasileiros, influenciando o mercado de moda. Pesquisa do Instituto Akatu mostra que 64% dos consumidores do país levam práticas conscientes em conta na hora de comprar roupas.

Essa mudança não aconteceu de forma repentina. De acordo com um estudo publicado na revista científica dObra[s], durante a pandemia de Covid-19, muita gente se deparou com armários cheios, passou a refletir sobre o desperdício e começou a questionar o ciclo acelerado de compras impulsionado pelo fast fashion.

Desde então, o debate deixou de ser restrito às redes sociais e passou a influenciar decisões reais de consumo. Nesse novo cenário, marcas que investem em roupa básica feminina, com foco em qualidade e durabilidade, se fortaleceram.

O movimento também reflete uma mudança no comportamento do consumidor. Cresce a atenção aos impactos acumulados ao longo dos anos, tanto ambientais quanto sociais. Ao mesmo tempo, há mais interesse em peças mais versáteis, como vestidos atemporais, que acompanham diferentes ocasiões e reduzem a necessidade de renovação constante do guarda-roupa.

O preço invisível do fast fashion

Segundo dados da ONU Meio Ambiente e da Fundação Ellen MacArthur, a indústria da moda é responsável por cerca de 10% das emissões globais de carbono e consome aproximadamente 79 bilhões de metros cúbicos de água por ano.

Além disso, estima-se que 85% dos tecidos produzidos sejam descartados em aterros sanitários. No Brasil, os resíduos têxteis chegam a cerca de 4,6 milhões de toneladas, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT).

Os impactos não se limitam ao meio ambiente. A produção terceirizada em países com legislações trabalhistas mais frágeis já resultou em casos graves de exploração. O desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013, que deixou mais de 1.100 mortos, tornou-se um marco desse problema e intensificou a pressão global por mais transparência na cadeia produtiva.

Menos peças, mais consciência socioambiental

Como resposta a esse cenário, cresce o interesse por um consumo mais consciente. Segundo o Instituto Akatu, mudanças nos hábitos da população têm levado consumidores a considerar cada vez mais os impactos ambientais e sociais de suas escolhas. Esse movimento, associado ao conceito de slow fashion, valoriza qualidade, processos éticos e design atemporal.

Diante dessa mudança, algumas marcas passaram a rever seus próprios modelos de produção. A MyBasic afirma que o consumo consciente faz parte da estrutura do negócio e envolve a revisão completa da cadeia produtiva, do desenvolvimento das peças até a entrega ao cliente.

“Acreditamos que consumo consciente não é uma tendência passageira, mas uma responsabilidade estrutural do negócio”, afirma a fundadora da MyBasic, Carolina Pucci. “Isso passa por repensar toda a cadeia, do design à entrega. O futuro é desenhado pelas escolhas do presente.”

Segundo Carolina, esse posicionamento se traduz em uma produção mais enxuta, com foco em evitar excessos e reduzir desperdícios. A fabricação é planejada de acordo com a demanda, com prioridade para matérias-primas de qualidade e desenvolvimento de peças atemporais.

“A MyBasic segue consistente no propósito de crescer de forma ética e sustentável alinhada aos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) e as boas práticas de ESG. É uma cultura organizacional baseada na responsabilidade socioambiental”, define.

Ela destaca a atuação para se tornar uma empresa “carbono zero”. “É uma jornada longa, mas durante o processo de recertificação do selo B, comprovamos a eficácia das ações direcionadas a esse objetivo.”

Carolina reforça que ao focar em qualidade e atemporalidade, a proposta é incentivar um consumo mais duradouro e menos descartável. Na prática, isso significa escolher roupas versáteis, que possam ser usadas em diferentes ocasiões e que mantenham a qualidade ao longo do tempo. A lógica muda: em vez de olhar apenas o preço, o consumidor passa a considerar o custo por uso.

O chamado “subconsumo” ganhou força com uma proposta direta: comprar apenas o necessário. A tendência reforça uma mudança de mentalidade que começou durante o isolamento social e continua em expansão.

Transparência faz a diferença

Apesar das mudanças no comportamento de compra, ainda há desafios importantes. Um levantamento recente do Índice de Transparência da Moda Brasil mostrou que 45% das maiores marcas de moda no Brasil não divulgam informações básicas sobre impacto ambiental, como emissões ou metas de redução.

A falta de transparência tem ampliado a desconfiança e colocado em evidência o chamado greenwashing, quando empresas adotam um discurso sustentável sem práticas consistentes que o sustentem.

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