Enfermeira do INCA e da UFRJ, e consultora de saúde da OAB-RJ, alerta para cuidados essenciais com o corpo, os limites e a saúde durante a maior festa popular do país
O Carnaval é, historicamente, um período marcado por alegria, encontros, liberdade e expressão do corpo. É também um momento em que muitas pessoas se permitem viver o prazer sem culpa, celebrar a diversidade, dançar, beijar e desejar. Especialistas destacam que o prazer traz benefícios reais para a saúde, podendo contribuir para a redução da dor, o controle da ansiedade, a melhora do bem-estar e impactos positivos em indicadores como pressão arterial e níveis de glicose.
No entanto, escolhas feitas em poucos minutos podem gerar consequências que duram uma vida inteira.
Falar de sexualidade no Carnaval não significa falar de proibição, mas de consciência, cuidado e responsabilidade consigo e com o outro. Quando não vem acompanhada de cuidado, a liberdade deixa de ser liberdade e passa a representar risco.
Todos os anos, após o período carnavalesco, é observado um aumento significativo na procura por serviços de saúde e também de processos judiciais relacionados a violência sexual, gravidez não planejada, infecções sexualmente transmissíveis, conflitos familiares e crimes cometidos sob efeito do álcool e de outras substâncias. Curtir a festa não deve significar confiar cegamente em desconhecidos, negligenciar limites ou perder a capacidade de discernimento.
Para a enfermeira e terapeuta em sexualidade Íris Bazílio, que também atua como consultora de saúde da OAB-RJ, o cuidado precisa caminhar junto com o prazer. “Prazer, diversidade e liberdade só são completos quando vêm acompanhados de consentimento, proteção e respeito. Celebrar o corpo não pode custar a integridade física, emocional ou sexual de ninguém”, afirma.
Dez atitudes para viver o Carnaval com prazer, saúde e consciência
1. Consentimento é regra, nunca detalhe
“O desejo só é legítimo quando é compartilhado de forma clara e respeitosa”, reforça Íris.
2. Use preservativo em todas as relações
A recomendação vale para sexo oral, vaginal ou anal. Prevenção é cuidado, não desconfiança.
3. Leve o seu preservativo
Quem cuida da própria saúde não terceiriza responsabilidades.
4. Atenção ao consumo de álcool e outras substâncias
O excesso reduz o senso crítico e aumenta a exposição a riscos. “Prazer não precisa de perda de controle. Cuidar do próprio copo também é uma forma de proteção”, alerta.
5. Respeite corpos, identidades e orientações
Diversidade é celebração, não autorização para invasão ou violência.
6. Combine expectativas antes
O que pode ser visto como brincadeira para uma pessoa pode se tornar trauma para outra. Comunicação também é cuidado.
7. Evite locais isolados ou desconhecidos
Liberdade não combina com exposição ao perigo.
8. Proteja seus limites emocionais
Nem todo contato físico precisa virar vínculo. Autoproteção também é uma forma de amor-próprio.
9. Em caso de violência, procure ajuda imediatamente
Delegacias especializadas, serviços de saúde e redes de apoio existem para acolher e orientar, nunca para julgar.
10. Lembre-se: prazer saudável não deixa culpa nem dor
Se uma experiência desorganiza emocionalmente depois, vale repensar antes.
O Carnaval passa, mas o corpo, a saúde e a memória permanecem. A orientação é que prazer e liberdade caminhem junto com o cuidado, para que a festa não se transforme em arrependimento.
