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Por Marina Agibert

O setor brasileiro de parques e atrações atravessa um dos períodos mais aquecidos de sua história. Segundo o Panorama Setorial 2026, desenvolvido pela Sindepat, Adibra e Noctua, os parques e atrações do país receberam 143 milhões de visitantes em 2025, movimentaram R$ 9,5 bilhões e acumulam R$ 11,5 bilhões em investimentos previstos para os próximos anos. Além disso, o setor já responde por mais de 202 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, enquanto os novos empreendimentos previstos devem gerar mais de 15 mil novas vagas.

Os números demonstram a força da chamada economia da experiência e o potencial de crescimento do segmento. No entanto, também levantam uma questão importante: quem serão os profissionais preparados para sustentar essa expansão?

Nos últimos anos, o mercado de entretenimento deixou de ser apenas um segmento focado em diversão e passou a operar como uma indústria complexa, que exige conhecimento em gestão, tecnologia, experiência do cliente, inteligência comercial, marketing, revenue management, dados e operação.

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O problema é que a formação profissional ainda não acompanhou essa evolução.

Historicamente, grande parte dos profissionais que atuam em parques temáticos, atrações turísticas e entretenimento vieram de áreas como hotelaria, turismo, eventos, marketing ou administração. Embora essas formações ofereçam bases importantes, poucas abordam de forma aprofundada as particularidades da gestão de parques e atrações.

Na prática, o setor acabou se desenvolvendo por meio da experiência acumulada dentro das próprias operações. Muitos dos profissionais mais valorizados do mercado aprenderam exercendo funções no dia a dia dos parques, construindo conhecimento de forma empírica ao longo dos anos.

Essa realidade ajuda a explicar um fenômeno que se tornou cada vez mais comum nos bastidores do entretenimento: a chamada “dança das cadeiras”.

Com a expansão do setor e a chegada de novos empreendimentos, a demanda por profissionais experientes aumentou significativamente. Como o número de especialistas ainda é limitado, as empresas passaram a disputar os mesmos talentos disponíveis no mercado.

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É comum observar profissionais migrando entre parques, resorts, atrações e grandes operações de lazer, muitas vezes ocupando posições estratégicas relacionadas à experiência do visitante, marketing, vendas, operação, receita e gestão.

Esse movimento se intensifica porque o mercado brasileiro ainda possui poucas opções de formação especializada voltadas exclusivamente para parques, atrações e entretenimento. Diferentemente de setores mais maduros, como hotelaria, aviação e tecnologia, ainda são raros cursos técnicos, especializações, MBAs ou programas de capacitação desenvolvidos especificamente para as necessidades desse segmento.

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Esse movimento não é necessariamente negativo. Pelo contrário. Ele demonstra a maturidade crescente do setor e o reconhecimento de que pessoas qualificadas são um ativo fundamental para o sucesso dos empreendimentos.

O desafio surge quando o crescimento da demanda supera a capacidade de formação de novos profissionais.

Em outras palavras: o mercado está crescendo mais rápido do que a oferta de talentos especializados.

O próprio Panorama Setorial aponta a gestão de pessoas como um dos desafios relevantes do segmento. A pesquisa identificou um índice médio de turnover de 46,2% nas operações analisadas, evidenciando o impacto da rotatividade sobre custos, treinamento e retenção de talentos.

Quando observamos setores maduros como hotelaria, aviação ou tecnologia, encontramos uma ampla oferta de cursos técnicos, graduações, MBAs, certificações e programas corporativos voltados às necessidades específicas dessas indústrias. No segmento de parques e entretenimento, essa estrutura ainda está em construção.

Isso cria uma oportunidade importante para instituições de ensino, empresas e entidades setoriais.

Acredito que uma das próximas etapas de amadurecimento do mercado brasileiro de entretenimento será justamente a criação de trilhas de formação mais especializadas. O setor precisa desenvolver profissionais capazes de atuar em áreas como experiência do cliente, inteligência comercial, dados, revenue management, marketing para atrações, tecnologia aplicada ao lazer e gestão de operações de entretenimento.

O futuro do setor não dependerá apenas de novos investimentos, atrações inovadoras ou tecnologias mais avançadas. Dependerá também da capacidade de formar profissionais preparados para lidar com um consumidor cada vez mais exigente e com operações cada vez mais sofisticadas.

O profissional que o mercado procura hoje não é apenas alguém que entende de turismo ou entretenimento. É alguém capaz de conectar experiência, dados, comportamento do consumidor, marketing, tecnologia e resultados de negócio.

Estamos diante de uma transformação semelhante à que ocorreu em outros segmentos anos atrás. O turismo deixou de ser apenas hospitalidade. O entretenimento deixou de ser apenas diversão. Ambos passaram a fazer parte de uma economia baseada em experiência, relacionamento e inteligência de gestão.

Por isso, acredito que os próximos anos serão marcados não apenas pela expansão dos parques e atrações no Brasil, mas também pelo surgimento de novas iniciativas de formação, especialização e desenvolvimento profissional voltadas para esse universo.

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Se hoje discutimos bilhões em investimentos para novas atrações, talvez seja hora de discutir também investimentos na formação das pessoas que irão operá-las, promovê-las e liderá-las.

Mais do que construir novas atrações, o setor precisará construir conhecimento.

Porque o maior gargalo para o crescimento dos parques brasileiros pode não estar na infraestrutura, mas na capacidade de desenvolver os talentos que irão sustentar essa nova fase do mercado.

E talvez esse seja o investimento mais importante para garantir um crescimento sustentável no longo prazo.

Marina Agibert é professora de pós-graduação e especialista em turismo, entretenimento e desenvolvimento de negócios. Com trajetória construída em hotelaria, parques e atrações turísticas, acompanha de perto os desafios relacionados à profissionalização do setor, formação de talentos e transformação da experiência do consumidor. Fundadora da Sparky, uma consultoria e aceleradora de performance brasileira focada no mercado de turismo, parques e entretenimento

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