AVEC Editora lança “O Apocalipse Amarelo 2: Os Imundos de Shub-Niggurath” e aprofunda o horror cósmico brasileiro

AVEC Editora lança “O Apocalipse Amarelo 2: Os Imundos de Shub-Niggurath” e aprofunda o horror cósmico brasileiro

Redação RBN
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A literatura de horror brasileira ganha um novo capítulo com o lançamento de O Apocalipse Amarelo 2: Os Imundos de Shub-Niggurath, segundo volume da série criada por Diego Aguiar Vieira. A obra chega após o reconhecimento de Uma Torre para Cthulhu, vencedor do Prêmio Aberst Rubens Lucchetti de Melhor Narrativa Longa de Terror, e expande de forma radical o universo que o autor apresentou em 2024.

Se no primeiro livro a devastação era percebida pelas bordas, agora o leitor entra de vez no coração do caos. A trama acompanha personagens que tentam atravessar um mundo esfacelado: Rafa, ainda marcada pela perda; Ícaro, lutando para preservar a sanidade; Lúcia, criada no interior de um culto religioso; Malaquias, que tenta proteger os poucos que restam; e Juca, que insiste na lógica mesmo quando a realidade parece rejeitá-la. Entre todos, paira a presença inquietante de Kamog, “o sem pele”, figura que, segundo o autor, nasce com o propósito de “radicalizar a própria perspectiva do leitor”.

Vieira explica que o ponto de partida deste segundo volume foi justamente romper com o primeiro: 

Os Imundos de Shub-Niggurath não poderia ficar preso aos elementos de Uma Torre para Cthulhu. Eu queria ampliar o universo, sobretudo no escopo da religião: como as grandes crenças reagiriam ao descobrir que tudo que pregavam era mentira? Quem já conhecia a verdade e agora ajuda a divulgar a nova Palavra?”, afirma.

A presença direta de Shub-Niggurath, uma das entidades do mythos lovecraftiano, ganha uma interpretação particular: não como a nuvem descrita por Lovecraft, mas como uma força rizomática que espalha caos, loucura e uma nova forma de consciência pelas ruínas do mundo. O apocalipse, diz o autor, é sensorial: “sente-se na carne, nos ossos, no sangue que escorre das palavras”.

A escrita mistura horror cósmico, brutalismo literário e psicogeografia, um dos campos de estudo de Vieira. Suas influências se entrelaçam de maneira orgânica: de Burroughs a Alan Moore, de Borges a David Foster Wallace, passando pela paranoia de Thomas Pynchon, que o autor cita como influência decisiva para a estrutura do livro. “Como acontece na obra de Pynchon e, claro, na vida, nem tudo tem explicação. O caos e a entropia se fazem presentes de maneira avassaladora”, comenta.

Mesmo em meio a delírios, ruínas e violência, os personagens seguem carregando falhas, dúvidas e pequenos lampejos de humanidade. “Empatia é a chave”, diz o escritor. “Eu não acredito em um mundo preto e branco, então não escrevo nada parecido. Restam-nos as tonalidades de cinza e a tentativa de atravessá-las.”

O futuro da série já está em andamento. Vieira trabalha em um “volume zero”, uma história de origem que deve apresentar novos aspectos do universo e incorporar o Necronomicon, aqui chamado de Neuronomicon, como elemento textual e mágico. Um livro de contos também está previsto, preenchendo lacunas narrativas e ampliando ainda mais o mosaico de personagens. “A série não repete fórmula. Cada volume muda de ritmo, de textura, de perspectiva. O mundo continua se abrindo, e se desfazendo, à medida que avança.”

Para os leitores, o convite está feito: “Se você acompanhou o primeiro livro, ou se interessa por histórias que misturam horror, delírio e uma investigação profunda de nossa história atual, este volume é um bom ponto para continuar, ou começar, essa travessia. Os Imundos de Shub-Niggurath amplia o que veio antes e abre novas portas para o que ainda está por vir.”

Sobre o autor 

Diego Aguiar Vieira é autor de Pássaros Artificiais, Macuconha, Crônicas de Calavera: Memento Mori, além da série O Apocalipse Amarelo. Vive em Belo Horizonte, é casado, tem uma filha e é tutor de uma gata.

 

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