O projeto “Esporte na Cidade”, em Governador Valadares (MG), acumula histórias que comprovam o impacto positivo da organização social De Peito Aberto. Uma delas é a da família Rodrigues, liderada pela matriarca Madalena, de 39 anos.
Ela é mãe de Eduarda Rikaelly (15), Abraão Israel (13), Sophya Victorya (11) e Rhyan (10). Foi Sophya quem despertou o interesse pelo skate e acabou puxando os irmãos, fortalecendo ainda mais os laços familiares por meio do esporte. De acordo com Madalena, o envolvimento dos filhos com o projeto vai muito além da prática esportiva.
“A Sophya foi quem se interessou primeiro. Depois vieram os outros. Foi puxando o outro, como uma autêntica família. Eles estão aprendendo não só sobre o skate, mas sobre a vida”, afirma Madalena.
Mesmo inaugurado no final de 2025, o projeto já atende cerca de 100 crianças e adolescentes, entre 6 e 17 anos. Os participantes recebem gratuitamente kits completos com uniforme e equipamentos de segurança, incluindo capacete, cotoveleiras, joelheiras, munhequeiras, além do próprio skate.
A iniciativa também promove respeito, perseverança e trabalho em equipe, contribuindo para o desenvolvimento integral dos jovens. O professor Gerson tem papel fundamental nesse processo.
“Ele foi um achado nas nossas vidas. Muito atencioso, paciente e próximo das crianças. Meus filhos estão aprendendo muito com ele”, destaca.
Os reflexos do aprendizado já são percebidos dentro de casa. Madalena relata mudanças significativas no comportamento dos filhos, especialmente em relação à responsabilidade e à colaboração nas tarefas domésticas. Rhyan, por exemplo, tornou-se mais ativo e interessado, enquanto Abraão se destaca pelo espírito colaborativo durante as aulas.
Impactos na vizinhança
O reflexo do projeto também se estende à comunidade. Moradora de um bairro com poucas opções de lazer, Madalena observa uma mudança no cotidiano local.
Desempregada, ela encontra no projeto uma importante rede de apoio para manter os filhos ativos, motivados e em desenvolvimento. Entre os momentos mais marcantes, Madalena relembra a entrega dos kits e a primeira viagem em família à praia, em Vitória (ES).
“Hoje há menos crianças nas ruas, expostas a riscos. Muitas veem as aulas e se interessam em participar. O projeto faz diferença para toda a região. Aqui em casa, tem sido essencial. Não quero que acabe nunca. Está fazendo muito bem para eles. Minha vida é difícil, sou mãe solo e enfrento muitos desafios. Mas ver a felicidade deles faz tudo valer a pena”, conta.
Eduarda destaca como o skate contribui para sua saúde mental e autoconfiança.
“O skate faz muita diferença na minha vida. Ele ensina confiança, liberdade e ajuda a aliviar o estresse. Cada queda faz parte do processo, e isso serve para tudo na vida”, relata. Ela também ressalta o espírito de coletividade entre os participantes, com os mais experientes incentivando os iniciantes a persistirem.
Já Sophya, que iniciou a jornada da família no esporte, resume sua experiência com entusiasmo. Para ela, o skate é mais do que uma atividade física: é uma fonte de aprendizado, amizade e superação.
“Eu gosto muito de skate. Aprendi muitas manobras, fiz amigos e quero continuar evoluindo cada vez mais”, afirma a jovem.
O professor Gerson Magalhães tem um carinho especial pela família Rodrigues. Ele se diz orgulhoso de vivenciar no dia a dia a transformação dos filhos de Madalena.
“É uma grande satisfação contribuir com a história desta família. Abraão, Eduardo, Sofia e Rian são extremamente participativos e engajados nas atividades da De Peito Aberto. A mãe faz questão da participação deles, o que é muito positivo. Observamos o impacto social significativo do skate em suas vidas. À medida que se envolvem, notamos melhorias em diversos aspectos: éticos, físicos, cognitivos e sociais”, destaca.