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Entre pressão regulatória, seletividade de capital e influência de narrativas, o processo decisório no país ganha novas camadas de complexidade

As decisões empresariais no Brasil deixaram de responder apenas a indicadores econômicos tradicionais. Em um ambiente marcado por maior complexidade, empresários passaram a operar sob a influência simultânea de regras institucionais, acesso a capital e construção de percepção, em um movimento que altera não apenas o ritmo dos negócios, mas a própria forma de avaliar risco, crescimento e sustentabilidade.

O empreendedorismo brasileiro atingiu um patamar de escala que o coloca entre os mais dinâmicos do mundo, mas essa expansão convive com um nível persistente de fragilidade estrutural. Segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2024, cerca de 47 milhões de brasileiros estão envolvidos em alguma atividade empreendedora. Em paralelo, dados do IBGE indicam que aproximadamente 60% das empresas encerram suas operações antes de completar cinco anos.

Mais do que um contraste estatístico, esse cenário revela uma mudança qualitativa no ambiente de negócios. A decisão de empreender deixou de ser orientada apenas por fundamentos econômicos clássicos e passou a ser atravessada por três vetores que operam de forma simultânea. O Estado, ainda central na definição de custos, regras e previsibilidade. O mercado, cada vez mais seletivo na alocação de capital e na imposição de competitividade. E a narrativa, que passou a influenciar diretamente a percepção de risco, o comportamento dos empreendedores e as expectativas de retorno.

“Não é mais possível analisar o empreendedorismo brasileiro de forma isolada. O empresário não decide apenas com base em números. Ele responde ao ambiente, e esse ambiente hoje é resultado direto da interação entre Estado, mercado e narrativa”, afirma Marcos Koenigkan, fundador do Mercado & Opinião.

A ascensão do empreendedorismo como fenômeno cultural ampliou o peso dessa terceira força. A difusão de histórias de crescimento acelerado, a valorização de trajetórias exponenciais e a pressão por resultados imediatos contribuíram para deslocar o eixo da decisão empresarial. Empreender passou a incorporar uma dimensão simbólica, muitas vezes dissociada da realidade operacional dos negócios.

“O que se observa é uma influência crescente da narrativa sobre a tomada de decisão. Ela molda expectativas, direciona comportamentos e altera o apetite ao risco. O ponto crítico surge quando essa construção não encontra correspondência no ambiente real de mercado”, diz Koenigkan.

Esse descompasso se torna ainda mais relevante em um contexto em que fatores estruturais permanecem praticamente inalterados. A complexidade tributária, o custo do crédito e a instabilidade regulatória seguem como elementos centrais de pressão sobre a sobrevivência e a expansão das empresas. Oscilações pontuais em indicadores macroeconômicos, como movimentos na taxa de juros, tendem a produzir alívio conjuntural, mas não alteram de forma significativa a base do ambiente de negócios.

“O risco empresarial deixou de estar concentrado apenas na operação. Ele se distribui pelo ambiente, pela comunicação e pela forma como o mercado interpreta cada movimento. Decidir sem compreender essa dinâmica ampliada é operar com visão incompleta”, afirma Paulo Motta, sócio dos eventos Mercado & Opinião em São Paulo.

Evento abordará o tema

Esse ambiente será analisado no encontro promovido pelo Mercado & Opinião no dia 31 de março, em São Paulo, que reunirá lideranças empresariais para discutir como essas forças se traduzem, na prática, em decisões estratégicas. Participam do debate Tarcísio de Freitas, governador do Estado de São Paulo, Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, Alfredo Cotait, presidente da Associação Comercial de São Paulo e João Vitor Xavier, CEO da CNN. Em um cenário mais exigente, compreender essa dinâmica deixou de ser diferencial e passou a ser condição para permanência no jogo.

Sobre o Mercado & Opinião

O Mercado & Opinião é um Think Tank de inteligência coletiva, onde grandes nomes do mercado compartilham conhecimento, tendências e experiências que acabam influenciando decisões empresariais e econômicas. A iniciativa promove jantares, conferências e fóruns que se tornaram referência na agenda executiva brasileira, criando um espaço exclusivo para relacionamento de alto nível.

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