Especialista em reprodução humana explica como a medicina reprodutiva abraçou as novas configurações familiares e oferece técnicas para realizar o sonho da parentalidade independente
Escrito por Patrícia Limeira
A decisão da personagem Solange, na novela “Vale Tudo” da TV Globo, de ter um filho através de produção independente trouxe para o horário nobre uma realidade cada vez mais presente na sociedade brasileira. O que antes era considerado exceção, hoje representa uma das muitas formas legítimas de constituir família, respaldada pelos avanços da medicina reprodutiva.
“A personagem Solange representa milhares de mulheres e homens brasileiros que tomam a decisão consciente de ter um filho de forma independente. Essa escolha reflete uma mudança profunda na sociedade, onde o desejo de ser pai ou mãe não está mais necessariamente vinculado a um relacionamento amoroso tradicional”, explica o Dr. Alfonso Massaguer, especialista em Reprodução Humana da Clínica Mãe.
A produção independente, termo que define a decisão de ter um filho sem um parceiro romântico, é apenas uma das muitas configurações familiares que a medicina reprodutiva moderna consegue atender. Segundo o especialista, essa modalidade pode envolver desde uma pessoa solteira até arranjos mais complexos, como “duas mães e um pai” ou “dois pais e uma mãe”, onde o envolvimento amoroso pode existir ou não.
Novas famílias, novos desafios médicos
O conceito de “nova família” abrange diferentes modelos de relacionamentos, incluindo famílias monoparentais, homoafetivas, recompostas, adotivas e plurais. Todas são reconhecidas na sociedade como legítimas expressões de amor e compromisso, merecendo o mesmo respeito e proteção da família tradicional.
“Podemos incluir ainda a produção independente masculina ou feminina. Com dois pais, uma mãe. Ou duas mães e um pai. Onde o envolvimento amoroso pode existir ou não ser necessário. O que importa e une essas pessoas é o desejo de ser pai ou mãe e criar uma criança”, afirma Dr. Alfonso Massaguer.
De acordo com o médico, a medicina reprodutiva evoluiu significativamente para dar oportunidades a essas novas configurações familiares de realizar o sonho de ter um filho. A evolução das técnicas de reprodução assistida permite promover a inclusão de todos os modelos familiares na jornada pela geração de um filho.
“Todas as novas formas de famílias são modelos legítimos de laços afetivos de proteção e ajuda. São pessoas que se identificam entre si e se amam e demandam o mesmo tratamento e proteção dados à família formada por um casal heterossexual. A medicina reprodutiva abraçou essa nova família e acolheu os seus sonhos”, afirma Massaguer.
Técnicas específicas para cada configuração familiar
O Dr. Alfonso Massaguer explica que a medicina reprodutiva desenvolveu técnicas específicas que conseguem atender aos diferentes tipos de casais e pessoas na jornada da geração de um filho, principalmente através da Fertilização In Vitro (FIV).
O médico destaca as diferenças nos procedimentos entre as diversas configurações familiares.
Para casais homoafetivos femininos, existem duas opções principais de reprodução assistida:
1. Inseminação Intra-Uterina (IIU): Uma das parceiras passa por indução da ovulação e recebe sêmen de um doador anônimo através de um banco de sêmen.
2. Fertilização In Vitro (FIV): O óvulo de uma parceira é fecundado com espermatozoide doado. A gravidez pode ser levada pela mesma parceira ou pelo útero da outra, permitindo a participação de ambas no processo.
Para casais homoafetivos masculinos, a única opção é a FIV, que requer uma doadora de óvulos anônima e uma doadora temporária de útero, conhecida como barriga solidária. Esta pode ser um membro da família ou qualquer mulher que aceite gestar para esta pessoa ou casal. Apenas é necessário o comprimento das regras do Conselho regional de Medicina.
Para a produção independente, as técnicas variam conforme o sexo da pessoa interessada. Mulheres solteiras podem optar pela inseminação artificial ou FIV com sêmen de doador, enquanto homens solteiros necessitam de doação de óvulos e útero de substituição.
Reflexo da sociedade contemporânea
Na percepção do Dr. Alfonso Massaguer, as famílias contemporâneas são reflexo da sociedade atual, rica em diversidade e possibilidades. Segundo ele, reconhecer essas novas configurações é um passo essencial para a inclusão e igualdade.
“É fundamental que todas as famílias, independentemente de sua composição, tenham acesso igualitário às tecnologias e direitos reprodutivos. O amor e o desejo de formar uma família não conhecem barreiras”, conclui o especialista.
O médico ressalta que esse movimento não se restringe apenas a casais homoafetivos. “Atualmente, todas as novas formas de família levam em conta a afinidade e união em prol de um objetivo comum, que é o de ter um filho e fazer o melhor para este novo ser humano”, completa.
Sobre Dr. Alfonso Massaguer – CRM 97.335
É Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Ginecologista e Obstetra pelo Hospital das Clínicas e atua em Reprodução Humana há 20 anos. Dr. Alfonso é diretor clínico da MAE (Medicina de Atendimento Especializado) especializada em reprodução assistida. Foi professor responsável pelo curso de reprodução humana da FMU por 6 anos. Membro da Federação Brasileira da Associação de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), das Sociedades Catalãs de Ginecologia e Obstetrícia e Americana de Reprodução Assistida (ASRM). Também é diretor técnico da Clínica Engravida, autor de vários capítulos de ginecologia, obstetrícia e reprodução humana em livros de medicina, com passagens em centros na Espanha e Canadá.
Sobre a Clínica Mãe
A Clínica Mãe é uma instituição de referência em reprodução assistida, dedicada a ajudar pessoas a realizarem o sonho de se tornarem pais. Com uma equipe altamente qualificada e utilizando as mais recentes tecnologias e métodos, a Clínica Mãe está comprometida em proporcionar cuidados personalizados e de alta qualidade a cada um de seus pacientes.
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