Relatório mostra desaceleração do crescimento global (2024/2025) e alerta para o impacto dos impostos sobre a competitividade da indústria pet brasileira.

DESTAQUES

 

       Mercado mundial desacelerou para 3,56% de crescimento em 2025, após anos de expansão acelerada no pós-pandemia.

       Setor pet brasileiro faturou R$77,96 bi em 2025 e projeta R$81,24 bi em 2026, crescimento de 4,21%.

       A carga tributária segue como um dos maiores desafios para que o mercado pet brasileiro alcance todo o seu potencial produtivo.

       Projeção com base no 1º trimestre indica que Pet food atingirá R$42,94 bi em 2026, avanço de 3,69% em relação a 2025.

       Brasil soma 166,8 milhões de animais de estimação, ocupando a 3ª posição mundial. Sudeste concentra 48,2% da população pet nacional (80,4 mi); Nordeste responde por 23% (38,4 mi).

       Cães lideram com 62,5 mi (37,5%), seguidos por aves canoras (44,3 mi), gatos (33,3 mi), peixes ornamentais (23,6 mi) e pequenos répteis e mamíferos (3,1 mi).

       Exportações cresceram 9% no 1T2026, com pet food respondendo por 90,14% do total exportado. Importações recuaram 36%, reflexo da substituição crescente por produção local.

O mercado pet  brasileiro encerrou 2025 com faturamento de R$77,96 bilhões, representando crescimento de 3,56% em relação ao ano anterior (R$ 75,4 bilhões). A desaceleração em relação aos anos anteriores reflete uma tendência global observada após o forte avanço registrado no período pós-pandemia. Os dados fazem parte do estudo de Faturamento e População Pet no Mundo – 2026 elaborado pela Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação – Abempet, que projeta crescimento de 4,21% para 2026.

Abempet apresenta relatório Faturamento e População Pet no Mundo – 2026 e alerta: carga tributária faz setor pet operar abaixo do potencial 

Fonte: Data Pet

Fatores como inflação, câmbio, desaceleração do consumo e, especialmente, alta carga tributária seguem impactando o desempenho do setor em nível global. Para exemplificar, a valorização do dólar influencia diretamente o custo de ingredientes básicos utilizados pela indústria, especialmente no segmento de pet food. Esse cenário se intensifica em mercados como o Brasil, onde a tributação do setor varia entre 30% e 51% conforme o estado — um patamar significativamente superior ao praticado em economias concorrentes: Estados Unidos (8% a 10%), União Europeia (15% a 18%) e China, que implementa políticas ativas de estímulo ao mercado pet.

“O setor pet segue sólido, mas os resultados refletem os desafios econômicos globais e o peso da alta tributação sobre os produtos e serviços do setor. Ainda assim, os indicadores demonstram que o setor mantém crescimento consistente em diferentes frentes, incluindo faturamento, população pet e exportações — apesar das barreiras que o contêm.”

Caio Villela, CEO da Abempet

O setor pet nacional, mesmo na leitura positiva dos seus números, opera abaixo do seu potencial — em grande parte por conta de uma carga tributária entre as mais altas do para o setor, que há mais de duas décadas pressiona preços, encarece o capital de giro e inibe investimentos em toda a cadeia produtiva. Esse cenário de disfunção econômica é ancorado na alta tributação e na elevada taxa de juros do país.

Faturamento Total do Setor Pet Brasileiro

O setor pet brasileiro projeta faturamento de R$ 81,24 bilhões em 2026, com crescimento de 4,21% em relação a 2025 (R$ 77,96 bilhões). A trajetória histórica evidencia a resiliência e o potencial de crescimento consistente do setor, mesmo em cenários econômicos adversos.

Evolução do Faturamento Total do Setor Pet Brasil (R$ bilhões):

Abempet apresenta relatório Faturamento e População Pet no Mundo – 2026 e alerta: carga tributária faz setor pet operar abaixo do potencial

Faturamento por Segmento — Projeção 2026 (Base 1º Trim.)

O pet food mantém sua posição dominante no setor, representando 52,86% do faturamento total. Os demais segmentos também registram crescimentos expressivos: pet vet avança 5,09%, serviços gerais 5,23% e serviços veterinários 4,65%, demonstrando a crescente diversificação e sofisticação do setor.

Abempet apresenta relatório Faturamento e População Pet no Mundo – 2026 e alerta: carga tributária faz setor pet operar abaixo do potencial

Abempet apresenta relatório Faturamento e População Pet no Mundo – 2026 e alerta: carga tributária faz setor pet operar abaixo do potencial

Canais de Acesso aos Produtos e Serviços Pet — 2026

Os pet shops (pequenos e médios) lideram os canais de acesso com 48,0% do faturamento total, consolidando sua posição como principal ponto de venda do setor. Na sequência, as clínicas e hospitais veterinários representam 17,4% do faturamento, seguidos pelas megastores (9,5%), varejo alimentar (8,6%) e e-commerce (8,5%).

Abempet apresenta relatório Faturamento e População Pet no Mundo – 2026 e alerta: carga tributária faz setor pet operar abaixo do potencial

Comércio Eletrônico Pet — 2026

O e-commerce pet movimenta R$ 6,91 bilhões (8,5% do faturamento total do setor). Dentro do canal digital, o e-commerce puro lidera com 38,5% das vendas online, seguido pelos pet shops mega store (32,0%) e pelos pet shops pequenos e médios (19,5%). Juntos, esses três canais respondem por 90% do faturamento eletrônico:

Abempet apresenta relatório Faturamento e População Pet no Mundo – 2026 e alerta: carga tributária faz setor pet operar abaixo do potencial

População Pet e a Posição-Chave do Brasil

Atualmente, a China lidera o ranking mundial de população pet, com mais de 438 milhões de animais, seguida pelos Estados Unidos, com mais de 290 milhões. O Brasil ocupa a terceira colocação mundial, com uma população estimada em 166,8 milhões de pets — crescimento de 2,33% em relação a 2024. Quando o recorte é a produção e consumo de alimentos para pets, o Brasil avança para a segunda colocação global

Distribuição da população pet brasileira por espécie:

Abempet apresenta relatório Faturamento e População Pet no Mundo – 2026 e alerta: carga tributária faz setor pet operar abaixo do potencial

Abempet apresenta relatório Faturamento e População Pet no Mundo – 2026 e alerta: carga tributária faz setor pet operar abaixo do potencial

A tendência de crescimento dos gatos se destaca tanto no Brasil quanto no mercado internacional. No cenário global, a população felina avançou 2,3% em 2024, enquanto os cães cresceram 1,9%. No Brasil, o crescimento é ainda mais expressivo: os gatos registraram alta de 4,5%, consolidando a espécie como principal impulsionadora das categorias de pets — tendência diretamente ligada à urbanização e aos espaços menores nas grandes cidades.

O país também mantém posições estratégicas em outras categorias: possui a segunda maior população de aves canoras e ornamentais do mundo (44,3 milhões de aves), reforçando sua relevância na cadeia global do setor pet.

Abempet apresenta relatório Faturamento e População Pet no Mundo – 2026 e alerta: carga tributária faz setor pet operar abaixo do potencial

O Sudeste concentra 48,2% da população pet nacional (80,4 milhões de animais), seguido pelo Nordeste (23,0%, 38,4 milhões), Sul (17,8%, 29,7 milhões), Centro-Oeste (7,2%, 12,0 milhões) e Norte (3,8%, 6,3 milhões).

Faturamento do Setor Pet Food no Brasil

Os dados do primeiro trimestre de 2026 revelam trajetória positiva para a indústria brasileira de pet food, com aceleração no crescimento. Comparando o 1º trimestre de 2025 com o mesmo período de 2024, o faturamento registrou crescimento de 1,57%, atingindo R$ 41,41 bilhões. No período subsequente (1º trimestre de 2026 contra 1º trimestre de 2025), o crescimento foi significativamente mais expressivo, alcançando R$ 42,94 bilhões, um avanço de 3,69%.

Abempet apresenta relatório Faturamento e População Pet no Mundo – 2026 e alerta: carga tributária faz setor pet operar abaixo do potencial

Essa aceleração de 1,57% para 3,69% sinaliza recuperação do setor após crescimento mais moderado no ano anterior, refletindo maior confiança e demanda do consumidor. Um dado importante: enquanto o faturamento cresce 3,69%, o volume de pet food registra crescimento bem mais modesto — 0,10% entre o 1º trimestres de 2024 e 2025, e 1,03% entre o 1º trimestre de 2025 e 2026. Essa desconexão entre volume e faturamento indica aumento dos preços médios e migração estratégica dos consumidores para segmentos premium, com maior valor agregado.

Exportações: Força Brasileira em Contexto Global

O primeiro trimestre de 2026 apresentou desempenho positivo nas exportações brasileiras do setor pet. Comparando janeiro a março de 2026 com o mesmo período de 2025, o valor total exportado pelos 22 NCMs monitorados foi 9% superior.

O segmento de pet food lidera amplamente as exportações, representando 90,14% do total exportado, seguido por pet care (8,90%) e animais vivos (0,96%). Essa concentração demonstra a força e competitividade da indústria brasileira em um segmento de alto valor agregado.

No cenário de importações, Áustria, Estados Unidos e China concentram cerca de 70% do valor total importado pelo Brasil. Entretanto, quando se compara o primeiro trimestre de 2026 com o primeiro trimestre de 2025, observa-se uma redução expressiva de 36% no valor das importações de todas as origens — reflexo da substituição por produção local.

O Setor Pet como Pilar Estratégico da Economia

“Os dados mostram que o setor pet segue demonstrando consistência e capacidade de adaptação, mesmo em um cenário econômico mais desafiador. O vínculo cada vez mais forte entre pessoas e animais continua impulsionando o mercado, especialmente em segmentos ligados à qualidade de vida, nutrição e bem-estar dos pets. Ao mesmo tempo, o Brasil mantém uma posição estratégica no cenário global, tanto pelo tamanho da sua população pet quanto pela relevância e competitividade da sua indústria.”

Caio Villela, CEO da Abempet

Um estudo econômico apresentado em Brasília, em 2024, demonstrou que a redução da carga tributária do setor pet poderia elevar a produção industrial para até 9 milhões de toneladas anuais — dobrando a capacidade produtiva —, impulsionar o consumo pelas famílias e gerar um aumento estimado de até 210% na arrecadação de tributos.

“O setor pet não é consumo supérfluo. O reconhecimento da sua essencialidade é uma discussão de política pública. As medidas públicas precisam ser coerentes: estimular o cuidado, não encarecê-lo. 2026 é o ano do reconhecimento; 2027, o momento da revisão justa da Reforma Tributária.”

José Edson Galvão de França, presidente do Conselho Gestor da Abempet

A redução dessa carga, pleiteada por anos pelo setor, e não contemplada na Reforma Tributária, é uma alavanca para a economia. Um exemplo é o segmento de pet food, onde a arrecadação tributária saltaria de R$ 6,3 bilhões em 2024 para R$ 19,6 bilhões em 2034 no cenário de alíquota reduzida — R$ 3,2 bilhões a mais do que os R$ 16,4 bilhões projetados sem mudança. Tributar melhor significa preços mais acessíveis, maior consumo, mais produção, mais empregos e, no fim, mais receita para o Estado. O setor tem tamanho, tem mercado e tem potencial. Falta remover o principal obstáculo ao seu crescimento.

Sobre a Abempet

A Abempet (Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação) representa e impulsiona toda a cadeia do setor pet no país, congregando os segmentos de alimentação e ingredientes (pet food), medicamentos veterinários (pet vet), equipamentos, acessórios, higiene e beleza (pet care), além de criação e serviços voltados para animais de estimação.

A entidade fortalece a indústria, o comércio e os criadores por meio de projetos de fomento ao conhecimento, ao empreendedorismo e à inovação, contribuindo para a profissionalização do setor e o desenvolvimento de seus associados.

Com foco em ampliar a percepção de que os benefícios da convivência entre seres humanos e animais de estimação se estendem a toda a sociedade, a organização atua para consolidar um setor cada vez mais sólido, responsável e inovador, que gera bem-estar, saúde e qualidade de vida para pessoas e pets.

(Fotos: Divulgação)

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