Os brasileiros estão vivendo mais, mas a longevidade trouxe um novo desafio: continuar fazendo escolhas, manter a própria rotina e permanecer no lugar onde construíram suas histórias pelo maior tempo possível. Hoje, mais de 33 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, o equivalente a 16,6% da população, segundo o IBGE. Mais do que acrescentar anos à vida, a discussão passou a ser como garantir liberdade de escolha, conservar hábitos e seguir vivendo no ambiente onde vínculos foram construídos ao longo das décadas.
Essa capacidade começa pelo movimento. Força, equilíbrio e mobilidade são pilares da vida ativa e tendem a diminuir com o avanço da idade quando não recebem estímulos adequados. “A prática regular de exercícios vai muito além da estética. O objetivo não é apenas viver mais, mas chegar aos 80 anos conseguindo subir escadas, carregar compras, sair sozinho e continuar realizando as atividades do dia a dia sem depender de terceiros”, afirma Clarissa Rios, médica, educadora física e CEO da DoctorFit, rede de estúdios premium de treinamento físico.
As quedas estão entre as principais causas de perda da capacidade funcional entre idosos, tornando a prevenção uma das bases do envelhecimento saudável. Na DoctorFit, cerca de 22% dos alunos têm mais de 60 anos, reflexo de uma geração que passou a enxergar o exercício físico personalizado como um investimento em qualidade de vida e liberdade.
A perda dessa capacidade, porém, nem sempre começa com uma doença ou limitação física importante. Muitas vezes, ela surge de forma silenciosa, quando tarefas simples passam a exigir mais esforço, a memória começa a falhar em situações cotidianas ou consultas e medicações deixam de ser acompanhadas com a mesma regularidade.
O suporte adequado pode funcionar como um importante fator de prevenção, permitindo que a pessoa mantenha hábitos, rotina e poder de decisão por muito mais tempo. A proposta deixa de ser substituir a autonomia e passa a ser criar condições para prolongá-la. “Envelhecer com segurança não significa abrir mão da liberdade. Muitas vezes, um acompanhamento pontual, apoio na administração de medicamentos, companhia para consultas ou supervisão em determinadas atividades é suficiente para que o idoso continue vivendo da forma como deseja, inclusive em seu próprio lar”, explica Jéssica Ramalho, CEO da Acuidar, maior rede de cuidadores da América Latina.
Mesmo pessoas plenamente ativas podem se beneficiar de uma rede de apoio em momentos específicos. O cuidador deixa de ser visto apenas como uma solução para situações de dependência e passa a atuar como um aliado da longevidade, ampliando a segurança sem retirar do idoso o controle sobre a própria vida. “O melhor cuidador não é aquele que substitui a independência, mas aquele que ajuda a mantê-la pelo maior tempo possível”, acrescenta Jéssica.
A nova longevidade deixou de ser medida apenas pelo número de anos vividos. Ela também é definida pela capacidade de continuar decidindo, cultivando relações, mantendo costumes e permanecendo no lugar onde a maioria das pessoas deseja envelhecer: a própria casa.