A ansiedade feminina não é fraqueza — é sinal de um mundo em desequilíbrio.

A ansiedade feminina não é fraqueza — é sinal de um mundo em desequilíbrio.

Dr. Marcio R. Renzo
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Por Dr. Marcio Renzo – Psicanalista e Hipnoterapeuta


Há algo que venho escutando com frequência no consultório: “Eu não sei por que estou tão ansiosa. Minha vida está até ‘normal’.”

Mas o que é normal hoje?

A mulher moderna acorda já em estado de alerta. Antes mesmo do café, a mente organiza tarefas, prevê problemas, calcula riscos, responde mensagens e antecipa expectativas. Não é exagero. É rotina.

E, no entanto, quando a ansiedade aparece — no coração acelerado, na insônia, na culpa por descansar — muitas ainda acreditam que o problema está nelas. Eu discordo.


A ansiedade não nasce no vazio


Pesquisas amplamente divulgadas por centros como a Harvard Medical School indicam que mulheres apresentam taxas mais altas de ansiedade ao longo da vida. Mas reduzir essa realidade a hormônios ou fragilidade emocional é simplificar demais o fenômeno.

A ansiedade feminina é também social.

No Brasil, análises publicadas pelo Jornal da USP destacam que mulheres relatam maior sobrecarga emocional e acúmulo de responsabilidades. Trabalham fora, organizam a casa, sustentam vínculos, administram conflitos — muitas vezes sem reconhecimento.

Não é apenas cansaço. É exaustão invisível.


O peso da perfeição


A cultura atual vende uma imagem de mulher que precisa ser produtiva, bonita, presente, saudável, emocionalmente equilibrada e financeiramente independente — tudo ao mesmo tempo.

Veículos como a Revista Claudia e a Revista Veja frequentemente abordam o aumento do esgotamento feminino, enquanto a Revista AzMina chama atenção para como desigualdade e pressão social ampliam o sofrimento mental das mulheres.

Mas ainda há uma pergunta que pouco se faz: Quem ensinou essas mulheres que descansar é culpa? Quem ensinou que errar é fracasso? Quem condicionou o valor pessoal ao desempenho constante?


O que vejo no consultório


A ansiedade feminina raramente é apenas “medo do futuro”. Ela costuma carregar histórias antigas: necessidade de agradar, medo de rejeição, cobrança por excelência, medo de não ser suficiente.

Muitas aprenderam, ainda na infância, que amor vinha acompanhado de desempenho. Que reconhecimento dependia de acertos. Que demonstrar fraqueza era perigoso.

Então crescem fortes. Competentes. Admiradas.

E profundamente cansadas.

A ansiedade, nesses casos, não é inimiga. É um alarme. Um pedido interno por limites mais humanos.


Não é sobre fragilidade. É sobre consciência.


Não defendo a ideia de que mulheres são mais frágeis. Ao contrário. São resilientes. Mas resiliência não significa suportar tudo em silêncio.

A mente ansiosa da mulher moderna revela algo maior: um modelo de sociedade que ainda distribui responsabilidades de forma desigual e cobra perfeição constante.

Enquanto não questionarmos esse modelo, continuaremos tratando sintomas sem tocar na raiz.


Um convite


Talvez o caminho não seja eliminar totalmente a ansiedade — isso seria ilusório. Mas é possível transformá-la em compreensão.

Perguntar-se:

  • O que estou tentando provar?

  • Para quem estou tentando ser perfeita?

  • O que aconteceria se eu aceitasse ser suficiente?

Cuidar da saúde mental feminina não é apenas uma tarefa individual. É também um compromisso social.

E talvez a verdadeira mudança comece quando a mulher deixa de se perguntar “o que há de errado comigo?” e passa a questionar “o que está errado na forma como estou vivendo?”

A ansiedade pode ser sofrimento. Mas também pode ser o início de um despertar.

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