Estudo inédito aponta consenso da população sobre a ligação entre o
mercado clandestino de cigarros, tráfico de drogas e armas
A maioria da população brasileira já enxerga o mercado ilegal de cigarros como uma
engrenagem central do crime organizado no país. De acordo com pesquisa do Instituto
Locomotiva, 9 em cada 10 brasileiros acreditam que a comercialização ilegal de
cigarros financia organizações criminosas, e 83% concordam que o crime organizado
lucra diretamente com a venda desses produtos.
A maioria da população (83%) também acredita, de acordo com o levantamento, que as
mesmas rotas usadas para o comércio ilegal de cigarros são usadas para o tráfico de
armas e drogas.
“A pesquisa mostra que a população já compreendeu algo fundamental: o mercado
ilegal de cigarros não é um problema isolado. Ele faz parte da engrenagem do crime
organizado e impacta diretamente a segurança das cidades”, afirma Renato Meirelles,
presidente do Instituto Locomotiva.
Em um ano eleitoral, a percepção da população vem acompanhada da cobrança por
segurança pública. Segundo o levantamento, 87% dos brasileiros avaliam que o governo
precisa agir de forma mais firme e coordenada para combater o comércio ilegal de
cigarros, reconhecido como uma importante fonte de financiamento de facções
criminosas.
Cigarro Ilegal: uma ameaça à Segurança Pública
A percepção social acompanha a dimensão real do problema. Dados do Instituto Ipec
(2024) mostram que o mercado ilegal de cigarros representa atualmente 32% de todo o
volume comercializado no Brasil, movimentando cerca de R$ 8,8 bilhões por ano. Trata
se de um mercado paralelo robusto, estruturado e altamente lucrativo, que opera à
margem da lei e da fiscalização.
Segundo o levantamento, 24% desse volume ilegal têm origem no contrabando –
majoritariamente do Paraguai – e em fábricas clandestinas instaladas no próprio
território nacional, que reproduzem o modelo do produto contrabandeado. Outros 8%
correspondem à atuação de empresas nacionais classificadas como devedoras
contumazes: companhias que operam formalmente, mas deixam de recolher tributos
de forma recorrente, praticando preços abaixo do mínimo legal e distorcendo a
concorrência.
O impacto fiscal dessa cadeia ilegal é expressivo. Apenas em 2024, a evasão de impostos
no setor de cigarros é estimada em R$ 7,2 bilhões, recursos que deixam de ser
destinados a políticas públicas essenciais, como educação e segurança, ao mesmo
tempo em que fortalecem financeiramente organizações criminosas.
Para Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade
(FNCP), os dados “reforçam que o combate ao mercado ilegal de cigarros vai muito além
de uma discussão econômica ou setorial. Trata-se de uma agenda estratégica de
segurança pública, que exige integração entre fiscalização e políticas tributárias
equilibradas para combater a ilegalidade”.
