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O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, definiu hoje (29) como “excelente performance” o resultado financeiro da companhia no terceiro trimestre deste ano, “a despeito de todo o ambiente de incerteza e da indústria do petróleo ter sido severamente atingida pela recessão global, com redução de preços, contração inicial de demanda”. Em coletiva virtual à imprensa, ele observou que houve uma recuperação, embora o ambiente ainda seja bastante desafiador.

Castello Branco defendeu que há uma assimetria na percepção de desempenho de uma empresa pelos integrantes da mídia, analistas de mercado e investidores, centrada na dicotomia entre lucro contábil e geração de caixa. O que os investidores valorizam é a geração de caixa, afirmou. “O lucro é uma variável contábil e ela não guia os negócios. Ela reflete registros”.

Segundo explicou Roberto Castello Branco, um fator importante para a determinação do lucro líquido ou prejuízo líquido da empresa no período foi a baixa de ativos da ordem de US$ 13,2 bilhões. Com isso, os ativos vão sofrer redução nos livros, “mas isso não implica, de maneira nenhuma, em redução da geração de caixa. Não tem impacto nenhum, a não ser o contábil”.

Geração de caixa

Para Castello Branco, a geração de caixa é muito importante porque significa o caixa com que são pagos os salários dos colaboradores da companhia, são pagos os impostos e dívidas e financiados investimentos. “Uma empresa sem caixa e liquidez é semelhante a um ataque fulminante do coração. Para tudo. E isso, felizmente, apesar do choque do petróleo e de demanda muito vigorosos, principalmente no mês de abril, quando os preços médios de petróleo chegaram a US$ 19 o barril, não se verificou sobre a Petrobras. Pelo contrário, tivemos uma excelente geração de caixa, graças, principalmente, a um excelente desempenho operacional”.

A geração de caixa medida pelos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, do nome em inglês) foi de R$ 33,4 bilhões no terceiro trimestre de 2020, alta de 33,8% sobre o registrado no segundo trimestre (R$ 24,986 bilhões) e 2,6% acima do observado no mesmo período do ano passado (R$ 32,582 bilhões). Nos meses de julho, agosto e setembro, o prejuízo líquido da companhia foi de US$ 236 milhões, ou o correspondente a R$ 1,5 bilhão.

O presidente da Petrobras comentou que a produção de petróleo e gás natural aumentou 9% em comparação a igual período do ano passado; as refinarias, depois de chegar a um nível mínimo de utilização de 55%, operaram no terceiro trimestre acima de 80% do fator de utilização. 

Castello Branco garantiu que apesar da redução do preço dos combustíveis, a empresa não teve margens negativas nem acumulou estoques. Os custos da Petrobras seguiram em processo de declínio, com barril de petróleo na área do pré-sal custando à companhia para extração US$ 2,30. Por outro lado, as despesas reais nominais, sem corrigir pela inflação, foram as menores nesses nove meses desde 2010. “É um resultado, sem dúvida, excepcional”.

Eficiência

O presidente da companhia assegurou que seguirá trabalhando para tornar a Petrobras mais eficiente, com custos mais baixos. Ele estima que o resultado desse esforço será notado nos próximos 12 ou 15 meses. Admitiu, por outro lado, que o programa de desenvestimento andou mais lento do que se esperava. “Mas ele está vivo e ativo”. Há 49 ativos em diferentes estágios no processo de venda no mercado e ele acredita que poderão ser fechados ainda este ano alguns negócios importantes.

Reconheceu que a Petrobras ainda é uma companhia bastante endividada, embora tenha pago, nos últimos 21 meses, US$ 31,5 bilhões, sendo US$ 11,6 bilhões de dívidas pagos nesse terceiro trimestre, “graças à forte geração de caixa. Se o prejuízo fosse importante, nós não teríamos força financeira para fazer isso”, manifestou, reiterando a crítica àqueles que priorizam o prejuízo líquido em detrimento da geração de caixa de uma empresa.

Castello Branco informou que, na área de desinvestimentos, a expectativa é fechar a negociação para venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam) até o final deste ano. Sobre a Refinaria Isaac Sabbá (Reman) e a Gaspetro, explicou que estão sendo iniciadas negociações, mas não há previsão de conclusão. Ele continua confiante que até o final de 2021 as operações estarão concluídas, sem necessidade de solicitar prorrogação de prazo ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Por enquanto, não está no nosso radar, definitivamente”.

Bolívia

A diretora de Refino e Gás Natural, Anelise Lara, respondeu à questão envolvendo o gás natural da Bolívia. Segundo ela, a mudança de governo naquele país não vai alterar as relações da Petrobras com a estatal do setor daquele país, a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), que já duram mais de 20 anos. “Nossa relação com a YPFB é de muito respeito e colaboração para chegar a um denominador comum nos nossos contratos”.

Anelise Lara acrescentou que “nós temos consciência da importância que a Petrobras tem como principal cliente do mercado de gás da Bolívia, para o próprio desenvolvimento da economia boliviana. E temos tido sempre, da parte da YPFB, um excelente intercâmbio e contato de comunicação sempre que vamos discutir a renovação de contrato”. Na avaliação dela, a mudança de governo não altera nada. As negociações continuarão, “sempre buscando um ganha-ganha para os dois lados”.

Europa

O diretor de Comercialização e Logística, André Chiarini, revelou que a Petrobras já sentiu, no terceiro trimestre, uma demanda mais fraca dos clientes importadores europeus e isso deve se intensificar com a segunda onda da covid-19. “Já sentimos, sim, um enfraquecimento do interesse dos clientes europeus no curto prazo”, disse. Ressaltou, entretanto, que a Europa representa 13% das exportações da Petrobras.

Chiarini informou que a China, por outro lado, continua com demanda bastante forte. Por isso, a redução dos pedidos da Europa não preocupa no momento. Essa retração não terá impacto sobre a produção interna de petróleo no quarto trimestre deste ano. “Não faz sentido. A gente, certamente, tem onde colocar o óleo em outros mercados”. Os estoques, inclusive, estão em níveis mais baixos do que na primeira fase da pandemia do novo coronavírus, em abril, completou.

Apesar da geração de caixa positiva, não há nada ainda definido sobre pagamento de dividendos sobre 2020, afirmou a diretora Financeira e de Relacionamento com Investidores, Andrea Marques de Almeida. A Petrobras anunciou esta semana mudança na política de dividendos, aprovada pelo Conselho de Administração, mas não há nada decidido sobre pagamento. O valor do dividendo que é pago aos investidores tem de ser aprovado pela assembleia geral de acionistas, lembrou o presidente Roberto Castello Branco.

A mudança aprovada na política de dividendos permite que exista a opção de distribuir dividendos mesmo com prejuízo contábil em um determinado ano, desde que a dívida líquida tenha diminuído nos últimos doze meses, sendo essa distribuição limitada ao valor dessa redução, informou a assessoria de imprensa da Petrobras. Essa mudança faz parte da abordagem da companhia para focar na geração de caixa ao invés de focar em medidas contábeis, em linha com os pares globais.

Precificação

Referindo-se à precificação de combustíveis, problema que considera que o Brasil costuma “mistificar”, o presidente da Petrobras explicou que os combustíveis, a exemplo de outras commodities globais (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado internacional), como soja, feijão, carne, arroz, trigo, milho, seguem uma lógica de precificação mundial.

Garantiu que o preço dos combustíveis no Brasil não é tão baixo nem tão alto. “É de acordo com o mercado. É uma commodity global”. Afiançou que a Petrobras não vai comprar market share (quota de mercado) às custas de prejuízos. “Isso foi feito no passado, com resultados tenebrosos para a Petrobras”. Na avaliação de Castello Branco, isso são reclamações “de capitalistas inimigos do capitalismo”. Informou que os preços do diesel nas bombas, apesar de toda taxação, são 14% inferiores à média global, em uma amostra de mais de 130 países.

Planejamento

A diretora Anelise Lara disse que dentro do planejamento estratégico para o período 2021/2025, a Petrobras vai apresentar cenário para a área de energia, que engloba as usinas térmicas. Das 29 usinas térmicas da empresa, 16 estão em desinvestimento. “Nós estamos falando aí de um parque de 13 usinas que compõem o nosso parque remanescente. Estamos estudando como vai ser o modelo para as usinas remanescentes”. Destacou que essas usinas só terão geração de valor se tiverem contratos assinados nos leilões que serão colocados a partir de 2021.

Castello Branco completou, afirmando que o objetivo sempre da companhia é obter valor máximo pelos ativos à venda. “O nosso direcionamento com relação às usinas de geração de energia térmica é consistente com essa diretriz geral”, declarou.

Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil

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