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Adriana Samuel. Um nome que está marcado para sempre na história do esporte olímpico brasileiro. A carioca começou no vôlei de quadra nos anos 1980, migrou para as areias e faturou duas medalhas olímpicas. Nos Jogos de Atlanta/1996, levou a prata ao lado de Mônica Rodrigues na histórica final contra a dupla Sandra Pires e Jaqueline Silva. Quatro anos depois, ao lado da Sandra Pires, ela voltou dos Jogos de Sydney com o bronze. A aposentadoria como atleta veio em dezembro de 2001, mas é claro que ela não iria se afastar do esporte. “O momento de parar é muito difícil para todos os atletas. Eu tomei a decisão de diminuir o ritmo aos poucos. Na entrevista que eu dei depois do bronze em Sydney, já sabia que não chegaria em alto nível em Atenas. E, para mim, a motivação é tudo. Por isso, comecei a adaptação desde meados de 2000” disse a ex-atleta.

Gestão de carreiras

Segundo ela, o próprio vôlei de praia acabou sendo a sua faculdade. “Descobri através dele uma veia empreendedora. No vôlei de praia, você precisa correr atrás dos patrocínios, tem que montar o time. Você acaba sendo o administrador de todo o projeto”. Com esse conhecimento, a transição das areias para o agenciamento da carreira de atletas foi a mais natural possível. O começo foi com as adversárias nos torneios e amigas fora deles Adriana Behar e Shelda (prata em Sydney/2000 e Atenas/2004). “Não sofri. Não tive dilemas. Foram elas que me propuseram o trabalho de captação de patrocínios”.

Durante os primeiros anos, o foco era total no vôlei de praia. Emanuel e Ricardo (a parceria mais vitoriosa da modalidade no país) e Tande e Giovane foram alguns dos parceiros nesse início. Mas, a praia começou a ficar pequena. “Uma amiga que atuava no setor de eventos me chamou para uma demanda, organizar o desafio das gerações brasileiras campeãs olímpicas de vôlei de quadra. Logo depois já veio o Pan-Americano de 2007. E não parei mais”.

Na sequência, a partir do ciclo olímpico de Londres/2012, era a vez do trabalho como gestora de times de atletas de várias modalidades. “Tem muita gente, César Cielo, Diego Hypólito, Martine Grael, Rafaela Silva, Ana Marcela Cunha, Isaquias Queiroz, entre outros. E é algo que continua acontecendo. Estamos trabalhando forte para Tóquio/2021. Muito legal estar com essas feras. Você passa a entender mais das modalidades. Sem falar que é uma honra estar próxima desses ídolos de todo país”. 

Projetos sociais

Outro setor em que a medalhista olímpica atua é a inclusão social através do esporte. “Conversei muito com Tande (campeão olímpico em Barcelona/1992 e irmão da Adriana). O vôlei mudou a nossa vida. Precisava retribuir de alguma forma”, comentou. Assim, nasceu em 2004 a Escolinha de Vôlei de Praia da Adriana Samuel, em Copacabana. Esse núcleo durou 14 anos. O outro espaço, localizado em Deodoro, continua ativo desde 2014. “É uma área extremamente carente. As crianças não tem nada parecido. É uma alegria ir lá, ver a felicidade no rosto deles”.

O projeto mais recente é o “Sem Barreiras”. Instalada no clube dos servidores municipais, no centro do Rio de Janeiro, a iniciativa une vôlei, judô e atletismo desde dezembro de 2018. São atendidos 200 jovens entre quatro e 17 anos. A equipe tem três professores e cinco profissionais de apoio. “Sou apenas um instrumento que faz tudo acontecer. Os verdadeiros responsáveis pelo sucesso desses projetos durante tanto tempo são essas pessoas. Eles que fazem as crianças voltarem a cada dia”. 

Mesmo evitando pensar no longo prazo, a Adriana já projeta os próximos desafios. “Enquanto meus olhos continuarem brilhando com o que eu faço, eu quero manter isso vivo. Essas ações são os meus gols, as minhas medalhas. Já estou pensando até para o próximo ano implantar algo relativo aos jogos eletrônicos. Vamos ver”, projeta.



Juliano Justo – Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional – São Paulo

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Redação
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