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Neste contexto da pandemia, o aumento de sintomas de ansiedade e depressão na população é esperado, e deve ser enfrentado o mais rapidamente possível. A vida das pessoas mudou rápida e abruptamente, além de ter acontecido de uma maneira radical e inesperada. O distanciamento social, nova rotina, restrições para sair de casa, participar de atividades sociais, e mesmo para trabalhar, impactaram milhões de pessoas.

Para abordar o tema, sugerimos entrevista com o psiquiatra Antonio Nardi, professor titular da Faculdade de Medicina – Instituto de Psiquiatria – da UFRJ, coordenador do Laboratório de Pânico & Respiração do Instituto de Psiquiatria – UFRJ e um dos coordenadores no Guia de Saúde Mental Pós-Pandemia; ou Márcio A. Bernik, com doutorado em Psiquiatria pela USP, médico assistente do Hospital das Clinicas de São Paulo e um dos autores desse capítulo do Guia; ou com Luiz Vieira, gerente médico da Upjohn, divisão da Pfizer focada em doenças crônicas não-transmissíveis.

Abaixo, informações e tópicos para conversa:

Quando ocorrem taxas de incidência elevadas de transtornos de ansiedade na infância e em jovens adultos, aumenta fortemente o risco de aparecimento de depressão, transtorno de ansiedade generalizada e transtorno de pânico na idade adulta.

Um estudo teve como objetivo comparar as taxas de prevalência de transtorno de ansiedade e transtorno depressivo em amostras nacionais nos EUA, antes e durante a pandemia. Foram comparados os dados de 2019 com os dados de abril e maio de 2020. Nesse último período, os indivíduos tiveram três vezes mais chances de apresentar transtornos de ansiedade, depressão, ou ambos, com mais de um em cada três indivíduos apresentando um ou ambos os transtornos.

A presença inicial de sintomas de ansiedade aumentou o risco de depressão no acompanhamento do período de 20201. Em outras palavras, adultos, em 2020, são consideravelmente mais propensos a desenvolverem transtornos de ansiedade e/ou depressão do que em 2019.

Sinais: Temos que prestar atenção para a possibilidade de aparecimento ou piora de preocupações exageradas e pensamentos repetitivos negativos, que podem estar sinalizando sintomas ou transtornos de ansiedade. Afinal, há uma associação entre estressores e um risco aumentado de transtornos de ansiedade.

O que pode aumentar a ansiedade? Não devemos exagerar na busca de informações. Há uma avalanche de notícias na mídia sobre a Covid-19, que só aumentam a ansiedade, a hipocondria e abrem a oportunidade para quadros psiquiátricos, como a depressão. Alternativas saudáveis são fundamentais para lidarmos com o problema. Temos que conversar, ler e nos informar sobre outros temas também. Por exemplo, trabalhar online, estudar e fazer atividade física regularmente são excelentes ferramentas para manter a saúde mental.

Gatilhos: O estresse, associado a outros fatores, como risco de doenças, problemas econômicos, confinamento, abuso de álcool e solidão, funciona como estímulo ao sistema nervoso central, que pode não reagir adequadamente e desencadear, principalmente, sintomas de depressão ou de transtornos de ansiedade.

Solidão: Um ponto especial deve ser salientado sobre as pessoas que vivem sozinhas: a solidão é um fator de risco para a depressão, e aumenta as taxas de suicídio e abuso de álcool.

O medo de ficar doente: Por um lado, algumas pessoas com alta ansiedade em relação à saúde podem considerar hospitais e consultórios médicos uma fonte de contágio, e, portanto, evitar procurar assistência médica. Por outro lado, esses indivíduos podem ter uma resposta oposta, ou seja, buscar informações relacionadas à saúde e garantias, muitas vezes, vindas de médicos. Nestes casos, podem visitar vários médicos ou, até mesmo, ir às salas de emergência de hospitais, em busca de garantias de que suas sensações e mudanças corporais não são resultados de infecções2.

Estratégias para enfrentar a ansiedade:

o  Evite a automedicação ou o uso exagerado de ansiolíticos

o  Tente entender o que você pode e o que não pode controlar

o  Perceba no que a sua situação difere da condição dos outros

o  Dedique-se a atividades gratificantes

o  Não se isole

o  Respeite a sua retomada

o  Preocupar-se é normal

o  Evite o consumo de álcool em excesso e/ou o uso de drogas recreativas

o  Mantenha bons hábitos de sono e equilíbrio alimentar.

REFERÊNCIAS

1.            Twenge JM, Joiner TE. U.S. Census Bureau-assessed prevalence of anxiety and depressive symptoms in 2019 and during the 2020 COVID-19 pandemic. Depress Anxiety. 2020 Jul 15;37(10):954-6. doi: 10.1002/da.23077.

Asmundson GJG, Taylor S. How health anxiety influences responses to viral outbreaks like COVID-19: what all decision-makers, health authorities, and health care professionals need to know. J Anxiety Disord. 2020 Apr 1;71:1-2. doi: 10.1016/j.janxdis.2020.102211.

Redação
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