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Embora o agronegócio seja um setor de destaque no cenário econômico nacional, os pequenos produtores, aqueles que não exportam e fornecem produtos apenas para o mercado interno, enfrentam uma série de dificuldades para plantar e escoar seus produtos. A pandemia de COVID-19 só piorou a situação. Restaurantes que servem comida por quilo, por exemplo, fecharam por um bom tempo e deixaram de comprar legumes, frutas e verduras. Sem dinheiro para fazer a colheita e distribuir a produção, muitos agricultores simplesmente passaram os tratores sobre as plantações.

Quando conta essa história, Simone Silotti, de 54 anos, aluna da Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Mogi das Cruzes e produtora rural, demonstra inquietação e preocupação. Ela soube, porém, transformar esses sentimentos em ação no projeto #FaçaumBemINCRÍVEL, reconhecido na última semana pelo jornal Folha de S. Paulo, no Prêmio Empreendedor Social em Resposta à COVID-19.

A iniciativa consiste em recolher os alimentos que os agricultores do distrito de Quatinga, em Mogi das Cruzes, não conseguiram vender e estão no limite da colheita e entregá-los para Organizações Não-Governamentais (ONGs) e comunidades carentes. Doações feitas por empresas e por pessoas físicas custeiam a operação. Tudo é organizado em um grupo de WhatsApp, que chegou a reunir 15 produtores e hoje conta com 10.

Durante a pandemia, o projeto distribuiu 170 toneladas de produtos agrícolas, principalmente hortaliças, em 13 municípios da Região Metropolitana de São Paulo, Cubatão, Praia Grande, Taubaté e Campinas.  Estima-se que 170 mil famílias tenham sido alimentadas por meio desse trabalho.

“Nós não esperávamos que o projeto fosse reconhecido pela atuação visionária, inovadora e multiplicadora, como está escrito no certificado do prêmio”, conta Simone. “Nós não nos víamos assim, nos víamos apagando um incêndio.” Cerca de 50 pessoas trabalham para que o #FaçaumBemINCRÍVEL cumpra seus objetivos.

Além de evitar o desperdício de alimentos levando comida à mesa de quem mais precisava, a iniciativa também ajudou a evitar demissões no campo. “Na horticultura, 40% dos trabalhadores são mulheres, muitas delas negras, de baixa escolaridade e chefes de família”, explica Simone. Ela estima que, em 2020, os prejuízos dos pequenos produtores sejam de, no mínimo, 60%.

HackaTrouble

O projeto já existia quando Simone participou do HackaTrouble, desafio realizado pelo Centro Paula Souza em parceria com a associação SAE Brasil e as multinacionais Amazon Web Services (AWS), Shawee e Mural. A empreendedora queria criar um aplicativo para a iniciativa, algo que foi feito durante a competição, mas ainda não saiu do papel. A maratona virtual de programação reuniu em abril cerca de 400 participantes, divididos em 100 equipes, e teve como objetivo propor e desenvolver soluções tecnológicas para enfrentar desafios impostos pelo novo coronavírus.

Além de cursar o quinto semestre do curso superior de tecnologia de Agronegócio, ela participou da Escola de Inovadores, em 2019. “Isso me ajudou a estruturar o projeto”, diz. Essa preparação somada à experiência que adquiriu com a empresa Quintal da Coruja, que há sete anos produz alface, rúcula e agrião hidropônicos, deram a ela os elementos para entender as dificuldades dos pequenos agricultores e buscar soluções.

Para continuar tocando o projeto, ela busca voluntários que desenvolvam o aplicativo que substituirá a organização das ações por meio do WhatsApp. Além disso, Simone segue atrás de parceiros e recursos financeiros. A ideia dela é que a iniciativa ganhe escala nacional. “Nós não vamos parar. São recorrentes os prejuízos no campo, as dificuldades são muitas”, afirma Simone.

rodrigo.rocha

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Redação
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