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Quem cuida também precisa de cuidado

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O cuidado com pacientes de transtornos mentais muitas vezes acaba sendo assumido, se não em sua totalidade, em grande parte, por uma única pessoa – seja um familiar, amigo ou profissional contratado para este fim. Quem cuida, porém, também necessita de um olhar especial, pois muitas vezes a sobrecarga da responsabilidade sobre o outro é muito pesada. É preciso que o cuidador não se afaste da necessidade que ele mesmo tem de atenção.

O psiquiatra da Holiste, Victor Pablo da Silveira, destaca que, por mais amor que se tenha pelo ente adoecido, existe um limite para exaustão relacionada ao ato de cuidá-lo.

“Entre os indicadores de que o cuidador chegou ao seu limite no manejo do paciente estão: a fadiga fácil, a diminuição da habitual capacidade de relaxar ou sentir prazer, insônia, queda da produtividade profissional, isolamento social, sintomas dolorosos, desenvolvimento de sentimentos de raiva, rejeição e conformismo, atuações de superproteção e até pensamento e comportamento suicida”, alerta.

A psicóloga da Holiste Raíssa Silveira salienta que as demandas do cuidador, muitas vezes são negligenciadas durante o tratamento, mas essenciais para manutenção de um ambiente saudável para ambas as partes, o que interfere diretamente na adesão e manutenção do tratamento do próprio doente.

“O grande desafio é inverter a direção do autocuidado e fazê-lo se reconhecer como alguém que o necessita. Cada um trará o seu motivo particular: seja por não se autorizar ser uma pessoa que necessita de cuidado, seja por uma preocupação do olhar do outro ou por medo de se confrontar com a própria condição de adoecimento.  O papel do psicólogo, nesses casos, passa por entender o processo de cada um”, explica Raíssa Silveira. “É necessário a desconstrução do ideal do ‘cuidador perfeito’ e nos convocar a compreensão dos nossos próprios limites”, finaliza a psicóloga.

Nos transtornos do desenvolvimento, como o autismo e o retardo mental, a relação familiar já parte de um princípio de cuidado e prevenção de danos desde a primeira infância, o que pode tornar o convívio menos desgastante. Porém, as grandes síndromes psiquiátricas e transtornos de dependência química afetam o indivíduo no início da vida adulta ou durante a terceira idade, o que frustra as expectativas da família em relação ao indivíduo, decorrente de sua perda de autonomia e sua inesperada dependência de cuidados específicos.

“Na evolução natural da crise para a fase crônica, um elemento familiar espontaneamente ocupa o papel de cuidador, muitas vezes a mãe, a filha, a esposa ou o marido. É preciso ter a real noção das causas e características do transtorno mental que acomete o paciente, para que o cuidador não se sinta culpado ou mesmo responsável por ele”, salienta Victor Pablo.

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